O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, entregou na tarde de hoje carta à presidente Dilma Rousseff solicitando o seu afastamento do cargo. A informação foi repassada pela assessoria de imprensa da Casa Civil.

“O ministro considera que a robusta manifestação do procurador-geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta. Considera, entretanto, que a continuidade de embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, decidiu solicitar seu afastamento”, informa a nota divulgada pela assessoria da Casa Civil.

De acordo com nota divulgada há pouco pela Casa Civil, o ministro considera que a decisão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de arquivar as investigações contra ele “confirmam a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta”.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) esteve nesta tarde reunida com a presidente e deve substituir Antonio Palocci na Casa Civil.

Sem cargo

Deputado federal entre os anos de 2006-2010, o ex-ministro Antonio Palocci não voltará à Câmara dos Deputados. Palocci não concorreu às eleições para a Câmara no ano passado para coordenar a campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff. Palocci foi a primeira baixa entre os ministros do governo Dilma. Ele assumiu o cargo em 1º de janeiro deste ano e ficou 158 dias no cargo.

O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), disse na tarde de hoje que a saída do ministro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, era previsível. “Eu acho que na medida em que ele não esclareceu isso no primeiro momento, ele não tinha outra saída”, afirmou, referindo-se às denúncias sobre a multiplicação do patrimônio de Palocci nos últimos anos.

“É uma forma de demonstração de que o País está vivo”, acrescentou. Segundo Guerra, o PSDB deve continuar a pedir esclarecimentos sobre as denúncias contra Palocci. “É a notícia que deveria acontecer”.

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira (SP), disse que a queda do ministro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, está alinhada com o que o PSDB entendia como saída para a crise no governo.

De acordo com ele, a situação de Palocci ficou “insustentável” após sua tentativa de dar explicações para as denúncias de multiplicação do seu patrimônio nos últimos anos, em entrevista na última sexta-feira ao Jornal Nacional, da TV Globo. “A corrosão da crise Palocci atingiu todo o governo. Uma hemorragia que não foi estancada em nenhum momento”, afirmou o líder tucano. “Da nossa parte, (a queda) era esperada”, completou.

O deputado federal Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS, comentou, em nota distribuída hoje, que a saída do ministro Antonio Palocci facilita a investigação sobre o seu “enriquecimento súbito”.

“Não haverá mais blindagem do governo Dilma na Câmara para convocação, por exemplo. O foro privilegiado acaba e a sociedade não fica refém da decisão do procurador-geral, que foi omisso e se negou a investigar o ministro”, afirmou, referindo-se à decisão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de arquivar representações de partidos de oposição que pediam a abertura de investigações contra Palocci.

Para Freire, a investigação das denúncias contra Palocci será acelerada. “Ele vira um cidadão comum sem a proteção do governo”.