A insatisfação com o primeiro programa eleitoral do PV, exibido na terça-feira, 17, obrigou o marqueteiro da campanha de Marina Silva, Paulo de Tarso Santos, a ter de se explicar. Após críticas de Alfredo Sirkis, presidente do PV no Rio de Janeiro, a campanha anunciou que exibirá na noite de hoje a biografia completa da candidata à Presidência da República.

Em seu blog e no Twitter, Sirkis disse que a inserção no horário eleitoral foi um erro inaugural “crasso” por ter “escondido” Marina. Como uma espécie de “documentário da National Geographic”, o programa de 1 minuto e 23 segundos mostrou geleiras em derretimento, chaminés, indústrias e lixo, com a narração de Marina num tom quase apocalíptico. Só no final a candidata aparece.

“Nada como um dia depois do outro, dando a volta por cima do desastre ecológico de um programa de TV de estreia, Marina mostrou a que veio no debate da UOL”, comemorou Sirkis, em seu blog. Para surpresa de Sirkis, o mesmo programa foi repetido no horário eleitoral da tarde de hoje.

“Quando se faz um programa inadequado, a primeira coisa é tirá-lo o mais rápido possível (do ar)”, comentou. “Era melhor tirar logo esse troço”, defendeu, ao dizer que o programa está na contramão da estratégia da campanha. “Mas estou vestindo meu quimono zen, não há mais nada a fazer, temos que esperar agora o próximo programa”, completou.

Paulo de Tarso Santos disse que é normal repetir à tarde o programa que foi exibido na noite anterior. “Repetimos só para não distinguir dos outros candidatos, essa é a lógica”, explicou. O marqueteiro discordou das críticas e disse que pesquisas qualitativas apontam que o eleitor recebeu bem o programa. “O povo entendeu perfeitamente”, rebateu. “E não fazemos programas de nanicos”, acrescentou, em resposta indireta ao cacique do PV.

Sirkis negou que seus comentários tenham gerado uma crise interna no partido. “Foi só um programa”, resumiu. O dirigente cobrou que o marqueteiro “faça um programa bem feito”, à altura da candidata. “Tem que deixar a Marina falar”, sugeriu.