Pela primeira vez desde o início do mês, a candidata Dilma Rousseff (PT) oscilou para baixo na medição diária do tracking Vox/Band/IG para a eleição presidencial.

A petista, que em uma semana subiu de 51% para 56% das intenções de voto, apareceu, ontem, com 54%. O principal concorrente, José Serra (PSDB), no entanto, permaneceu com 21%. Ele iniciou a medição, em 1º de setembro, com 25%. Marina Silva, do PV, oscilou um ponto percentual para cima e aparece com 9%.

Marco Charneski
Serra: “escândalo” não funcionou.

Para o sociólogo Marcos Coimbra, presidente do Vox Populi, o tracking está mostrando que a exaustiva exploração do caso da violação dos sigilos fiscais de pessoas ligadas ao PSDB teve impacto nulo na campanha eleitoral.

“Passados 15 dias de quando ‘estourou’ o ‘escândalo’, as pesquisas mostram que seu impacto foi nulo. A ‘bomba’ esperada pelos que torciam pelo fato novo virou um traque. Por mais que os ‘grandes’ jornais tenham se esforçado para fazer do ‘escândalo da Receita’ um divisor de águas, ele acabou sendo nada. Tudo continuou igual: Dilma lá na frente, Serra lá atrás”, disse, em artigo publicado ontem no jornal Correio Braziliense.

Para o sociólogo, há várias razões para que a opinião pública tenha tratado com indiferença o chamado escândalo. “O mais óbvio: o que, exatamente, estava sendo imputado a Dilma na história toda? Se, há mais de ano, alguém violou o sigilo tributário de Verônica Serra e de outras pessoas ligadas ao PSDB, o que a candidata do PT tem a ver com isso? É culpa dela? Foi a seu mando? Em que sua candidatura se beneficiou?”, indaga Coimbra.

Ele encerra o artigo dizendo que “todos esperam que o governo faça o que deve fazer no episódio (e em todas as situações do gênero): investigue as falhas e puna os responsáveis. Ir além, fazendo dele um ‘escândalo eleitoral’, é outra coisa, que não convence, pelo que parece, a ninguém”.

O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas, sendo que um quarto dessa amostra é renovada diariamente. A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Quadrilha

Mas o candidato do PSDB parece que tão cedo não vai desistir da tática adotada. Ontem Serra, disse estar indignado com a notícia de que o sigilo fiscal do seu genro, Alexandre Bourgeois, também foi quebrado na agência da Receita Federal em Mauá (SP).

“A questão do meu genro deixa mais do que claro que é um trabalho organizado. É um trabalho de quadrilha”, disse o candidato, após participar na capital paulista de encontro em defesa das pessoas com deficiência. “A violação do sigilo do meu genro e da sua intimidade é mais um capítulo desse episódio vergonhoso.” Serra mostrou irritação ao falar sobre o caso, uma vez que, na avaliação dele, a vida privada dos seus netos também foi invadida.

Anteriormente, na mesma agência da Receita Federal em Mauá, também havia sido violado o sigilo fiscal da sua filha, Verônica Serra, casada com Bourgeois. “Claro que estou muito ofendido, mas esse crime vai além desse episódio e dessa questão pessoal”, afirmou.