Foco maior em dois personagens, o juiz Sergio Moro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi um dos destaques observados nas manifestações de domingo pelos cientistas políticos Carlos Melo e José Álvaro Moisés. Em debate transmitido ao vivo direto do estúdio da TV Estadão, em São Paulo, ambos interpretaram os principais eixos das manifestações que tomaram as ruas do País ontem.

Segundo os acadêmicos, o juiz federal Sergio Moro tornou-se uma personificação do combate à corrupção. “Eu vi cartazes citando Moro e Joaquim Barbosa. Temos uma crise de liderança no Brasil. Ao nível da Justiça Federal, do Ministério Público e da Polícia Federal estão surgindo figuras jovens que querem dizer que não são coniventes com um tratamento da lei que permite desmandos, desvios e corrupção. Há sinais de um inicio de uma mudança”, enfatizou José Álvaro Moisés, professor titular de ciência política da USP.

“Processos políticos são processos históricos, não se resolvem em uma semana”, explicou Carlos Melo, pesquisador e professor do Insper. “A Revolução Francesa começou provavelmente uns 30 anos antes do dia 14 de julho de 1789. É um processo de longo prazo e a gente está no meio deste caldeirão”, completou Melo.

Já o ex-presidente Lula voltou a ser alvo dos protestos porque a investigação da Operação lava Jato tem se aproximado de assuntos relacionados a ele. “Para chegar à Dilma seria preciso remover um obstáculo político importante que é o ex-presidente Lula”, ressalta Moisés. “Do ponto de vista histórico é um momento que dói, mas que é extraordinário”, concluiu o professor Carlos Melo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.