Descontentes com reforma da Previdência,
funcionários da Receita Federal pararam.

A cada dia que passa aumenta o número de servidores públicos que estão aderindo às mobilizações contra o projeto de Reforma da Previdência. Ontem, os funcionários do Banco Central fizeram um dia de paralisação das atividades, afetando principalmente o departamento de meio circulante, setor responsável pela distribuição de dinheiro na rede bancária.

Na Receita Federal, os servidores iniciaram mais uma paralisação de três dias, e no Hospital de Clínicas (HC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), algumas cirurgias tiveram que ser desmarcadas por falta de funcionários no centro cirúrgico.

O diretor-geral em exercício do HC, Celso Araújo confirmou que ontem pela manhã 34 servidores não comparecem ao trabalho. Na segunda-feira, perto de setenta funcionários, nos três turnos de trabalho, aderiam a greve, sendo oito do centro cirúrgico e nove na lavanderia. Com isso, vinte das cerca de cinqüenta cirurgias que são realizadas no hospital tiveram que ser remarcadas.

Na lavandeira, onde são lavadas diariamente 4 mil quilos de roupa, há um acúmulo de trabalho em função da falta de funcionários registrada no final de semana. Porém, o hospital garante que está conseguindo manter a produção contínua com o apoio de empresas tercerizadas e dos funcionários da Funpar (Fundação da UFPR para o Desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cultura) que não aderiram a greve.

“Estamos fazendo essa compensação com os funcionários da UFPR e da Funpar para poder manter os serviços”, disse, acrescentando que se a adesão aumentar, o hospital poderá ter problemas. Ele garantiu que estão mantendo uma taxa de internamento hospitalar de 57%, e que no pronto-atendimento ? onde são realizadas cerca de 600 consultas diárias ? os trabalhos estão normais.

O Sinditest ? sindicato que representa os servidores técnicos-administrativos da UFPR ? afirma que a adesão de servidores do HC à greve chega a 35%, o que significa 285 trabalhadores. “Não sei porque a direção do hospital não divulga esses números”, disse o presidente do Sindistest, Antônio Neris. Segundo ele, a adesão dos técnicos administrativos ao movimento paradista está crescente, e deverá ganhar força com a adesão dos professores, que hoje realizam uma assembléia geral para definir se também iniciam uma greve por tempo indeteminado.

Fazenda

Os auditores fiscais e técnicos da Receita Federal iniciam ontem uma nova paralisação de três dias. Na sede do Ministério da Fazenda em Curitiba, estão funcionando apenas os setores de informação e regularização do CPF, dívida ativa e fazendário. O presidente da delegacia sindical em Curitiba da Unafisco Sindical, Norberto Sampaio disse que a greve anunciada pelo judiciário deverá reforçar as mobilizações dos servidores em todo o País. Ele confirmou que amanhã, os servidores de 23 entidades federais e municipais, em Foz do Iguaçu, farão uma passeata na cidade, que terminará com um ato público que deverá fechar a ponte de Amizade, entre Foz e Paraguai.