Concluído amanhã o processo eleitoral do segundo turno, o governador eleito Beto Richa (PSDB) começa a articular politicamente sua futura administração. Beto convidou os trinta deputados federais para uma reunião em Curitiba, na segunda-feira.

O tucano quer conversar sobre o Orçamento da União de 2011. Nos próximos dias, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional começa a receber as emendas apresentadas pelas bancadas de todo o País.

Os deputados federais podem ajudar no primeiro ano de governo de Beto levantado recursos para obras dentro das dotações previstas para o próximo ano. Cada deputado federal pode reivindicar programas e obras no valor de até R$ 12,5 milhões.

As emendas de bancada não têm limites de valores e podem garantir boa fatia do orçamento, se houver entrosamento entre os deputados. O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB) disse que quanto maior a sintonia entre governos estaduais e deputados federais, maior o poder de fogo para negociar a liberação de emendas para o Estado.

“Nós podemos tentar estabelecer uma trincheira paranista como fazem as bancadas dos outros estados que trabalham em conjunto. Isto funciona, mas depende do relacionamento com o governador”, disse.

Hauly acha que o diálogo ajuda, sobretudo quando se trata das emendas ao orçamento da União, em que a dificuldade está na liberação dos recursos. “Num cálculo pouco preciso, eu diria que a liberação chega a trinta por cento das emendas”, afirmou.

Hauly apontou outro desafio: juntar os paranaenses em torno de um objetivo comum. Nas raras vezes, em que houve esse esforço, funcionou, destacou. No caso da anistia à multa que o Estado vinha pagando em decorrência dos títulos podres adquiridos pelo Banestado, antes de sua privatização, a mobilização foi bem sucedida, lembrou.

Beto Richa disse que pretende manter contatos permanentes com os deputados federais sobre as áreas de interesse do Paraná, em Brasília. “Terei um diálogo permanente com a bancada federal. As portas do Palácio Iguaçu estarão abertas aos deputados e senadores para o exame das questões de interesse do Estado em Brasília”, disse o governador eleito.

Para ele, a fatia do Paraná sempre foi uma das menores na divisão dos recursos da União. “O Paraná tem sido relegado a segundo plano na divisão do bolo tributário nacional. É hora de reverter a situação”, disse.