Convidados com o status de pré-candidatos ao governo do Paraná para o Seminário Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, Beto Richa (PSDB), Osmar Dias (PDT) e Orlando Pessuti (PMDB) transformaram o palco do Teatro Positivo em palanque.

Os três trocaram algumas farpas em seus discursos e fizeram um ensaio do que deve ser a campanha. Falando para uma plateia de pecuaristas, que não é sua área, Beto Richa se apegou às realizações da prefeitura de Curitiba, disse que não era professor, mas tinha resolvido os problemas de educação da cidade, e que não era médico, mas tinha em Curitiba a capital com os melhores índices de saúde do país.

Disse que consegue isso por montar equipes com “gente do ramo” e descentralizar sua administração. “O que farei se eleito governador do Paraná”. Beto também ensaiou algumas frases em defesa da agropecuária do Estado, criticando o MST, a quem chamou de “baderneiros”, e a revisão do tratado florestal. Beto encerrou seu discurso dizendo assumir compromisso de governar com a sociedade “e eu cumpro meus compromissos”.

Foi a deixa para Osmar Dias, que diz que Beto rompeu com o compromisso de apoiá-lo nestas eleição voltar a cobrar o ex-aliado. “Compromisso, não é? Eu cumpro mesmo meus compromissos, e assumo o do certificado de sanidade sanitária para os agricultores paranaenses”, disse Osmar.

O senador também brincou com a frase de Beto de montar uma equipe com “gente do ramo”. “Se me elegerem, vocês já terão um governador do ramo”, declarou.

Marco Charneski
Osmar Dias: “Eu sou do ramo”.

Osmar ainda criticou a venda do Banestado, para ele o maior prejuízo para o proprietário rural paranaense e, lembrando que votou contra a proposta de privatização, concluiu seu discurso com mais uma provocação. “Eu defendo o patrimônio público, mas não com discurso, na prática, o que farei quando o Paraná colocar alguém do ramo para governar”.

Orlando Pessuti, o que discursou por mais tempo, deu ênfase às realizações do governo estadual. Ex-secretário de Agricultura, Pessuti destacou o trabalho feito para tornar o Paraná livre de aftosa e o programa estadual de irrigação noturna, “que só existe porque conseguimos, expulsando deputado da Tribuna, evitar a venda da Copel”, lembrou, numa crítica ao grupo que administrava o Estado antes de Roberto Requião (PMDB) e ao qual ele inclui Beto Richa.

Marco Charneski
Beto: “Não sou professor”.

Pessuti reafirmou os compromissos de governo de Requião e disse que honrará todos no período de nove meses que governará o estado após a desincompatibilização do governador. “E espero manter esse compromisso até 2014”, disse, referindo-se a sua candidatura a governo.

Apesar de ter chegado atrasado, o governador Requião também participou do seminário. Coube a ele o encerramento do evento, e o fez em tom de despedida, já que marcou renúncia para o próximo dia 31.

“Esse evento é como uma despedida. Assumi o governo das mãos de transformistas, aqueles que pela publicidade dizem que são o que não são. Assumi com a proposta de mudança e posso falar tranquilo porque as metas traçadas foram superadas”, declarou.

Pessuti: “Não há chance de o PMDB apoiar o Serra”

Requião, Pessuti e Osmar falaram sobre as conversações internas e com outro,s partidos que estão tendo visando o pleito de outubro. Pessuti minimizou a possibilidade de o PMDB apoiar o PSDB no Paraná e, para isso, se apegou nos candidatos a presidente dos partidos.

“Não há chance de o PMDB apoiar o Serra. Hoje trabalhamos pela candidatura do Requião, mas obedeceremos ao que a convenção do partido decidir que será entre Requião e Dilma. Não se cogita apoio ao Serra”, disse Pessuti.

Ele afirmou que tem mantido conversas com os outros partidos e pré-candidatos, mas lembrou que é o único que não tem alternativa. “Eu só posso disputar o governo, Beto e Osmar podem ser vice. E minha cota de desistência já se esgotou quando abri mão da indicação ao Tribunal de Contas pelo Hermas Brandão”.

Depois de ter declarado, via twitter, que se Lula não apoiasse Pessuti, iria apoiar Serra, Requião disse que não se podia levar a sério o que postou na internet. “Não vou apoiar ninguém, eu tenho posição, o que quero discussão sobre a macroeconomia brasileira”, disse.

Ele reafirmou que levará sua pré-candidatura à Presidência até a convenção do PMDB. “Mas vou perder em Brasília, porque o PMDB já está negociado, então vou sair ao Senado”.

Osmar comentou que na visita de Lula ao Estado, voltou a ouvir que o presidente o quer candidato no Paraná. Ele disse que só fechará uma aliança quando tiver um programa.

Questionado sobre uma possível recaída ao lado tucano, foi enfático: “Estamos caminhando com prudência para construir uma aliança com o PT e outros partidos da base do governo Lula, porque tem uma realidade que todos conhecem: o PSDB decidiu ter um candidato”.