Felipe Rosa
Nova tarifa será anunciada na sexta.

A disputa entre os grupos políticos que comandam o governo e a prefeitura de Curitiba vai estourar no bolso do povo. O governador Beto Richa (PSDB) anunciou ontem o fim do subsídio ao sistema de transporte da região metropolitana e deixou nas mãos do prefeito Gustavo Fruet (PDT) o “abacaxi” da tarifa de ônibus. O fim do benefício pode fazer o preço da passagem chegar aos R$ 3, desencadear mudanças na Rede Integrada de Transporte (RIT) e por fim à tarifa de R$ 1 aos domingos.

O fim do subsídio foi anunciado por Richa na manhã de ontem, após reunião com o secretariado. “Na história do transporte público do Paraná, nunca houve subsídio de tarifa por parte do governo do Estado. Auxiliamos por um determinado momento, mas o governo não pode ser sobrecarregado com mais essa despesa”, disse o governador.

Desde o início de 2012, o Estado concede ao transporte coletivo da região metropolitana subsídio que chegou a R$ 64 milhões no ano passado. O aporte permitiu que o valor pago pela população se mantivesse em R$ 2,60, enquanto a chamada “tarifa técnica”, que reflete os custos reais do sistema, chegou a R$ 2,97. O acordo se encerra em maio.

Reajuste

Com o fim do convênio, o novo valor da passagem, que será anunciado na sexta-feira, deve se aproximar de R$ 3,05, correspondente à nova tarifa técnica calculada pela Urbs, a empresa de economia mista que gerencia o transporte público.

Descartada a desintegração

Ao mesmo tempo em que Beto Richa anunciava o fim do subsídio, o presidente da Urbs, Roberto Gregório, participava de audiência na Câmara de Curitiba. “Precisaríamos de instrumento do ponto de vista legal, não somente financeiro, que nos dê condições de operar o transporte fora do município. Mantida esta posição de não ter convênio, vamos ficar sem este suporte institucional”, disse.

Mais tarde, Gustavo Fruet descartou a possibilidade de desintegração do sistema, mas disse que algumas diretrizes do convênio entre a Urbs e a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) terão que ser revistos. “Se não houver a renovação do subsídio, isso terá impacto direto no valor da tarifa”, admitiu o prefeito, em entrevista à rádio CBN.

Negociações não avançam

Fator fundamental na definição da nova tarifa, as negociações entre as empresas de ônibus e motoristas e cobradores estão emperradas. Ontem, reunião entre o Sindimoc, que representa os trabalhadores, e o Setransp, sindicato patronal do setor, avançou noite adentro e ainda não tinha sido encerrada até o fechamento desta edição.

“Até agora não houve avanço nenhum. A situação é periclitante, mas não temos nenhum posicionamento ainda. Qualquer proposta será avaliada em assembleia, que deve ser realizada até o fim da semana”, disse o relações públicas do Sindimoc, Vanderlei Portela. Os trabalhadores pedem reajuste salarial de 30%, enquanto as empresas oferecem a reposição da inflação de 2012, calculada em 6,2%. Nova greve da categoria não está descartada.