O governador Beto Richa negou, na manhã desta quinta-feira (16), que tenha recebido doações da construtora Odebrecht e afirmou que está “tranquilo” em relação à inclusão do seu nome na segunda lista do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

“Estou contratando um advogado para que eu possa ter acesso a esse processo e conhecimento dos fatos aos quais fui citado. Da minha parte, eu desconheço o contexto que leva a inclusão do meu nome nessa lista da Procuradoria Geral da República. Eu estou absolutamente tranquilo, confio plenamente na Justiça e sou o maior interessado que isso seja profundamente, detalhadamente, o mais rápido possível investigado. Acredito que assim como vários outros citados tiveram seus processos arquivados, que o meu terá o mesmo destino”, disse Beto Richa em coletiva concedida no Palácio Iguaçu.

Questionado se recebeu doações da construtora baiana, Richa disse que não. “Não temos nenhuma doação [da Odebrecht]. Temos um comitê financeiro legalmente construído. Pessoas autorizadas por mim que fazem parte desse comitê que são as únicas que podem fazer captação de recursos eleitorais, tudo dentro da lei, declarado na nossa prestação de contas e devidamente aprovado pela Justiça Eleitoral.”

O governador do Paraná que pode entrar na mira do Superior Tribunal de Justiça pela segunda vez disse ainda não tem “nenhuma preocupação” sobre a articulação política para que o chamado Caixa 2 seja anistiado. “Não tenho nenhuma preocupação. Sempre fui muito cuidadoso. As pessoas do meu comitê financeiro são escolhidas por mim, pessoas da minha confiança, qualificadas e conhecedoras da Lei e daquilo que pode ser realizado na nossa campanha.”

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e mais quatro governadores estão na “segunda lista de Janot” que foi entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (14). Não se sabe em que circunstâncias o nome do tucano foi citado nos acordos de colaboração premiada firmados com 77 executivos e ex-executivos das empresas Odebrecht e Braskem, no âmbito da Operação Lava Jato. As informações foram divulgadas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, na noite de quarta-feira (15).

Conforme mostrou a Gazeta do Povo, o governador paranaense aparece em uma planilha com valores de doações de campanha para políticos na eleição de 2010 apreendida pela Polícia Federal na deflagração da Operação Xepa. Empresas que teriam sido usadas como “laranja” pela Odebrecht doaram R$ 200 mil ao PSDB do Paraná naquele ano.

Os outros governadores incluídos nos 320 pedidos feitos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao STF são os peemedebistas Renan Filho (Alagoas) e Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro) e os petistas Fernando Pimentel (Minas Gerais) e Tião Viana (Acre).