O presidente Jair Bolsonaro voltou a desqualificar as manifestações que aconteceram nas principais cidades do país, na quarta-feira (15), contra o contingenciamento de recursos da educação. “O que foi feito no Brasil, ontem? Uma passeata Lula Livre, um bandido que está preso, condenado, cumprindo pena”, disse nesta quinta-feira (16), em Dallas.

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O presidente também foi irônico ao responder sobre sua forma de lidar com as manifestações – ele chamou os manifestantes de “idiotas úteis” e “massa de manobra” no dia anterior. “Queriam que eu falasse o que sobre o dia de ontem? Ó, as manifestações são livres? São. Só não podemos admitir a depredação de patrimônio. Sim, e daí? Isso é óbvio. Falar isso aí é o óbvio. Agora, vi garotada sendo entrevistada na rua que não sabia o que estava fazendo lá”.

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Bolsonaro voltou a frisar que o nível da educação no Brasil é ruim e mais uma vez afirmou que “70% dos alunos da 9ª série não sabem a regras de três, não sabem interpretar texto ou responder a perguntas básicas em ciência”. Questionado por uma jornalista brasileira se os cortes no orçamento fariam com que essa realidade mudasse, o presidente respondeu de forma agressiva e foi orientado, na frente de todos, a usar a palavra contingenciamento e não corte.

Presidente se irrita com pergunta

“O corte de verbas, você tem que entender, não é maldade de ninguém. Não tem dinheiro. Então, o contingenciamento, que é a palavra certa, foi um pequeno percentual nas despesas discricionárias…”.

A jornalista interveio na resposta, afirmando que “contingenciamento é corte”. Bolsonaro perdeu a paciência e atacou a profissional. “Você, da Folha de S. Paulo, tem que entrar de novo numa faculdade que presta e fazer um bom jornalismo. É isso que a Folha tem que fazer e não contratar qualquer uma ou qualquer um para ser jornalista, para ficar semeando a discórdia e perguntando besteiras por aí e publicando coisas nojentas”.

Bolsonaro voltou a defender que a medida é necessária já que a arrecadação diminuiu. “Ah, corte. Quem decide corte não sou eu. Ou querem que eu responda a um processo de impeachment no ano que vem por ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal, por não ter previsto que a receita, que agora é realidade, foi menor do que a despesa. É a realidade”.

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O presidente alegou que essa diferença entre orçamento e arrecadação é um problema do modus operandi do Congresso e que não gostaria de fazer nenhum corte, que até o “seu” Exército sofreu uma redução de 40%. Como não há dinheiro neste momento, segundo o presidente, o jeito é cortar. “Paciência, se querem que eu me adeque pela tal governabilidade? Não vou ceder a pressão nenhuma”.

Uma das principais críticas feitas por manifestantes é o corte em pesquisas científicas nas universidades federais. Bolsonaro rebateu dizendo que no momento não há nenhuma universidade brasileira entre as 250 melhores do mundo. “Vocês vão me falar que estamos prejudicando pesquisa? Pesquisa até temos na Mackenzie, no IE, ITA, e em algumas poucas universidades. Não temos nada no Brasil. Quando acabar nossa commoditie, a gente vai viver do quê? Me desculpe agora, baixando o nível, a gente vai viver de capim!” E finalizou dizendo “Não somos herbívoros!”

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