O presidente Jair Bolsonaro apresentou a ideia de criar um novo partido – o Aliança pelo Brasil – em reunião na terça-feira (12) com parte da bancada do PSL no Congresso. Em meio ao racha na sigla, vários parlamentares não foram convidados para o encontro e outros tiveram os convites retirados.

Entre os parlamentares que ficaram de fora estão o presidente do partido, Luciano Bivar; a ex-líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann; o ex-líder da bancada do PSL na Câmara, Delegado Waldir; Julian Lemos; Heitor Freire; e o porta-voz de Bivar, Junior Bozzella. Já o deputado Coronel Tadeu foi chamado e posteriormente desconvidado.

A primeira convenção do “Aliança pelo Brasil” está marcada para dia 21 de novembro. O PSL tem 51 deputados federais em exercício. Apoiadores do presidente esperam levar até 30 deles para a nova sigla – a janela para troca de partidos só acontece em 2020, seis meses antes da eleição. Bibo Nunes (PSL-RS) aposta que pelo menos 25 deputados devem migrar.

Segundo ele, talvez não seja necessário esperar até ano que vem. “Eu estou para ser expulso faz três meses e nós temos uns 12 [deputados] que podem ser expulsos até terça-feira”, afirmou. Nunes cita como exemplo entre os que podem ser expulsos o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (SP) e Alê Silva (MG).

A briga por poder dentro do partido entre bolsonaristas e bivaristas se intensificou nos últimos meses, principalmente com a divulgação do áudio de uma reunião da “ala bivarista”. O deputado Felipe Francischini, que participou da reunião gravada e vazada, esteve no evento do presidente, segundo Nunes.

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Felipe Francischini, deputado Felipe Francischini, que participou da reunião gravada e vazada, esteve no evento do presidente mas não deve migrar pro novo partido. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Felipe Francischini, participou da reunião do presidente mas não deve migrar pro novo partido. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

“O pessoal ficou surpreso de ele estar lá, com certeza não vai [para o novo partido]”, disse o deputado gaúcho. A princípio teriam sido convidados 40 parlamentares do PSL para o evento. Veja abaixo alguns que não estiveram presentes.

Confira quem foram os deputados barrados no baile do novo partido de Bolsonaro

Luciano Bivar

O presidente do PSL e Bolsonaro estão em crise há meses, a queda de braço dentro do partido é intensa com suspensões e ameaças de expulsão. A gota d’água no relacionamento entre Bolsonaro e Bivar foi um vídeo em que o presidente da República dizia que o deputado estava “queimado pra caramba”.

Joice Hasselmann

A ex-líder do governo no Congresso, antes bolsonarista de primeira ordem, foi removida do cargo pelo presidente. Ela apoiou o deputado Delegado Waldir como líder do PSL na Câmara, enquanto Bolsonaro tentava fazer dar a Eduardo a liderança. Depois disso entrou em atrito direto com os filhos do presidente.

Ex-líder do governo no Congresso, Joice foi removida do cargo pelo presidente e não foi convidada pro novo partido. Foto: Marcos Corrêa/PR
Ex-líder do governo no Congresso, Joice foi removida do cargo pelo presidente e não foi convidada pro novo partido. Foto: Marcos Corrêa/PR

Delegado Waldir

Era o líder do PSL na Câmara, mas deixou o cargo após entrar em conflito com a ala bolsonarista. Waldir pertence ao grupo que apoia Luciano Bivar, presidente nacional do partido.

Júnior Bozzella

É o porta-voz de Luciano Bivar, estaria recebendo ameaças nas redes sociais.

Heitor Freire

Apontado como responsável por vazar o áudio de uma ligação em que o presidente Jair Bolsonaro pedia apoio para Eduardo se tornar líder do PSL.

Julian Lemos

Em uma reunião teria sido pressionado a ajudar na articulação para tornar Eduardo líder do partido. Pediu para ir ao banheiro e não voltou mais.

Desconvidados

Coronel Tadeu

O deputado confirmou que foi desconvidado para a reunião de última hora. Ele recebeu da deputada Bia Kicis, vice-líder do governo no Congresso, um e-mail em que era informado de que a reunião havia sido cancelada.

“Como parlamentar, militar, e respeitoso aos princípios do presidente Bolsonaro, continuarei votando pelo Brasil e para o Brasil. Nenhum partido seja ele A ou B fará eu mudar meus princípios e meu caráter”, afirmou. Foi convidado segunda (11), às 15h29 e desconvidado na terça 9h28, “por determinação do presidente do PSL na Câmara nos Deputados, deputado Eduardo Bolsonaro”, diz o e-mail.

Na dúvida

O deputado Enéias Reis (MG) apesar de ser citado como tendo sido desconvidado, pelo jornal Correio Braziliense, afirma que apenas não conseguiu comparecer por ter passado mal. O colega de bancada, Bibo Nunes afirma que como suplente do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, ele não poderá mudar de partido.

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