O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, lamentou ontem em Cascavel o fato de a Câmara de Vereadores ter rejeitado a lei que acaba com o nepotismo. Busato participou do lançamento da etapa regional de uma campanha sobre o tema que a entidade promove em todo o Brasil e que conta com apoio de várias entidades.

Segundo ele, os vereadores correm risco de ter argüida pelo Ministério Público a inconstitucionalidade da lei aprovada em Cascavel, fato que ocorreu no Legislativo de Ponta Grossa, por exemplo. "É lamentável que Cascavel corra na contramão da história. São vereadores que não se comportaram com a devida seriedade". Segundo ele, "cabe à sociedade se mobilizar e construir uma nova história e questionar esse ato".

Busato citou outras modalidades correntes de nepotismo no Brasil, que, em sua opinião, também são nefastas. "O nepotismo cruzado ocorre muito no Poder Judiciário, ou seja, a contratação de parentes de outros juizes, e vice-versa, para não configurar a contratação de parentes. Atrás do nepotismo está a corrupção". Busato falou de outro fenômeno que ocorre no poder central em Brasília, o "nepetismo", que é a destinação de cargos de confiança do governo para filiados ao PT.

Do encontro, surgiu ainda uma campanha que visa o fim das nomeações políticas para cargos de embaixador no exterior, como ocorreu com Itamar Franco (embaixador na Itália), Paes de Andrade (em Portugal), e José Tilden Santiago (embaixador em Cuba).