O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), negou-se a comentar nesta sexta-feira (30) a operação conjunta da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República, que resultou em denúncia contra o ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) por formação de quadrilha armada e na prisão do deputado estadual e ex-chefe da Polícia Civil Álvaro Lins (PMDB). Questionado sobre o assunto durante visita a São Paulo, Cabral limitou-se a repetir diversas vezes: "Prefiro não falar sobre isso, não vou comentar".

Cabral esteve na capital paulista para participar de um seminário, onde falou sobre a eficiência da gestão estadual no Rio. Antes de deixar o local do evento, na zona sul da cidade, o governador acertou com sua assessoria que encerraria rapidamente a coletiva por estar atrasado para um vôo fretado. Ele não respondeu a nenhuma pergunta, apesar da insistência dos jornalistas que o aguardavam no local. Apesar de o seminário ter sido divulgado na agenda oficial do governador, a imprensa não foi autorizada a acompanhar a apresentação.

Na saída, o secretário de Fazenda do Rio, Joaquim Levy, que também participou do seminário, defendeu a transparência do governo estadual e disse acreditar que o episódio não prejudica a imagem do PMDB. "Primeiro, acho que essas coisas acontecem em qualquer partido. Segundo, acho que a gente não deve se precipitar para que a ação possa ter seu curso", afirmou.

Lins, que foi chefe da Polícia Civil durante os governos de Garotinho e de Rosinha Matheus, é apontado como chefe de uma quadrilha que usava a polícia para receber favores. Ele, alguns de seus familiares e sete policiais foram denunciados pelos crimes de corrupção, facilitação de descaminho, contrabando, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada. Garotinho, segundo procuradores, mantinha Lins no cargo mesmo tendo ciência de suas ligações criminosas. Não foi comprovado, entretanto, que o ex-governador tenha se beneficiado do esquema, segundo procuradores.