Depois de enfrentar turbulências em sequência desde que foi reeleito, o governador Beto Richa (PSDB) vive momentos de rara calmaria à frente do Palácio Iguaçu.

Conseguiu emplacar aliados nas prefeituras da maior parte do Paraná – com destaque para Curitiba – e se vê a uma distância relativamente segura do caos financeiro enfrentado por outros estados.

A bonança política, porém, não se reflete nas ruas, onde a grande maioria ainda desaprova a gestão do tucano. “Não posso me apegar a pesquisas. Estou concentrando minhas energias em ser um bom governante, em recuperar cada vez mais a capacidade do estado de investir”, afirma.

Para quem se reelegeu no primeiro turno em 2014 contra adversários pesados – os senadores Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) – e com um discurso de “casa em ordem”, “máquina azeitada” e “o melhor está por vir”, Richa, ao contrário do que se podia imaginar, passou quase dois anos apagando incêndios.

Foi um período de ajustes fiscais, greves do funcionalismo, denúncias de corrupção e o episódio da Batalha do Centro Cívico.

O reflexo de uma agenda tão negativa está na popularidade do governador. Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas realizado há um mês aponta que 71,4% dos curitibanos – principal eleitorado do tucano − desaprovam a administração estadual.

No campo político, por outro lado, Beto Richa vislumbra um cenário de surpreendente calmaria no atual mandato. Nas eleições municipais de outubro, conseguiu eleger Rafael Greca (PMN) na capital e dezenas de aliados pelo interior.

Além disso, manteve as contas do estado – ainda que com medidas impopulares como o adiamento do reajuste dos servidores – num nível completamente diferente de estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que decretaram situação de calamidade financeira.

À reportagem, Richa atribui essa calmaria ao “ajuste das contas do estado”. Segundo ele, as medidas tomadas até agora permitiram uma “folga de caixa” para investimentos pelo estado, pagamento em dia de servidores e fornecedores e não paralisação de obras.

“Vejo com tristeza as maiores economias do Brasil decretando calamidade financeira. Já o Paraná dá exemplo de uma gestão responsável e com planejamento, permitindo resultados positivos em todas as áreas”, afirma o tucano. “O reconhecimento da sociedade quando faz essa comparação com outros estados acabará acontecendo.”

Questionado por que esse cenário desenhado por ele não se reflete em pesquisas de opinião, ele diz não ligar para isso, citando, por exemplo, que os levantamentos não apontavam a vitória dele no primeiro turno em 2010 e 2014.

Para o governador, era natural que sua popularidade caísse diante das” medidas impopulares” que tomou. “Não me arrependo de ter tomado essas decisões e tenho a consciência tranquila, porque, a cada resultado, o Paraná é destaque positivo no cenário nacional, mostrando que elas foram acertadas e bem-sucedidas. Mas é claro que espero que a recuperação [da minha popularidade] acabe acontecendo.”

A preocupação de Beto Richa nesse sentido cresce na medida em que se aproxima a próxima eleição. Tudo leva a crer que ele renunciará ao governo do estado em abril de 2018 para poder concorrer a uma das duas cadeiras que estarão em disputa pelo Paraná.

Rossoni fala em unidade do governo; oposição diz que Paraná foi primeiro estado a quebrar

Número dois no Executivo estadual desde março do ano passado, Valdir Rossoni (PSDB) afirma que uma das explicações para a calmaria política no Centro Cívico é a unidade que a Casa Civil tem procurado dar ao governo.

Segundo ele, a orientação ao secretariado é se comprometer fielmente às propostas que o governador Beto Richa (PSDB) fez aos paranaenses. “Temos certeza de que estamos fazendo o correto. Com o tempo, isso vai aparecer nas pesquisas, não vai ser de uma hora para outra”, afirma.

Já o líder do PT na Assembleia Legislativa, deputado Professor Lemos, diz que a aparente calmaria do governo Richa não corresponde à realidade. Ele afirma que os servidores seguem insatisfeitos com a postura do governo de protelar o pagamento do reajuste salarial e de promoções e progressões atrasadas, enquanto a população foi injustamente penalizada pela incompetência do tucano.

“O governo do Paraná foi o primeiro a tomar medidas contra a crise porque foi o primeiro a quebrar. Ele [Richa] encerrou o primeiro mandato sem conseguir honrar a folha nem pagar fornecedores”, ataca. “O governador vai sair sem ter deixado uma única marca positiva, um único programa criado. Isso explica a rejeição dele.”