Uma semana após o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentar sua “Agenda Brasil”, com uma série de propostas anticrise, líderes de partidos da base aliada da presidente Dilma Rousseff decidiram entrar na discussão e também apresentar medidas que ofereçam alguma saída para o atual momento do País.

A ideia surgiu ainda na semana passada, mas somente após as manifestações de domingo, líderes de PT, PC do B, PR, PSD e Pros bateram o martelo e marcaram reunião para esta quinta-feira. Até lá, eles esperam contar com o apoio de outros aliados.

“É fundamental nós integrarmos esta ‘Agenda Brasil’. Queremos todos em integração”, disse o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Alguns líderes já listaram as propostas que levarão ao encontro. Rogério Rosso (PSD-DF) diz que pretende apresentar proposições que já havia oferecido ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em julho. Muitas das propostas defendidas por ele já tramitam no Congresso. Ele defende medidas de estímulos e desburocratização para micro e pequenas empresas, revisão do código penal e do código de trânsito, por exemplo. O PP ainda não havia sido informado da reunião, mas seu líder, o deputado Eduardo da Fonte (PE), disse ter interesse na agenda.

Na avaliação de parte dos governistas, apesar do foco maior na presidente Dilma e no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a diminuição do número de manifestantes em comparação com o primeiro protesto, realizado em março, dá mais confiança para que a base atue.

“As manifestações são vistas com naturalidade. (Impeachment) é a agenda da oposição. Estamos defendendo uma nova agenda para o País”, afirmou Guimarães.

Para a líder do PC do B, Jandira Feghali (RJ), os governistas precisam prestar atenção no ato de domingo para “buscar o rumo correto”. Mas ela também entende que o resultado foi positivo para os aliados de Dilma, pois as pessoas começaram a se dar conta do “conteúdo fascista” das manifestações, o que deixa a base “mais à vontade para trabalhar”.

Rogério Rosso e Eduardo da Fonte disseram entender que, após as manifestações, o Congresso deve atuar com mais “responsabilidade” e defenderam que Cunha tire da pauta a votação do projeto de lei que altera as regras da remuneração do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). “Todo mundo precisa vestir a sandália da humildade. Tenho certeza que Eduardo Cunha, como bom cristão e presidente da Câmara, está trazendo do Rio de Janeiro a sandália da humildade”, afirmou Rosso.

“A gente tem que amadurecer. Não pode votar qualquer item que implique em mais instabilidade ao País. O momento que o Brasil atravessa requer união”, afirmou Fonte, para quem as manifestações não teriam acontecido se a situação econômica do País não fosse crítica.

Vice-líder do bloco do PMDB, Danilo Forte (CE) defende que os parlamentares analisem o que foi pedido nas ruas, mas que se mantenha a governabilidade. “Não podemos ser irresponsáveis. Temos que saber dimensionar. O País já está com muita dificuldade”, afirmou. (Colaborou Daiene Cardoso)