O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse na sexta-feira que pediu a interferência de ministros do Supremo Tribunal Federal para que o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, concedesse permissão ao deputado federal licenciado José Genoino para se tratar em casa ou no hospital. Conforme Carvalho, que não especificou com quais ministros falou, a família e os companheiros do PT estavam chegando “às raias do desespero” por causa do estado de saúde do petista.

Genoino passou por cirurgia cardíaca em julho e sofreu um acidente vascular cerebral. Desde quando se entregou, no dia 15, o deputado sentiu-se mal no deslocamento para Brasília e na prisão. Na quinta, ele foi encaminhado ao Hospital das Forças Armadas. Horas depois, Barbosa liberou Genoino para tratamento fora do Complexo Penitenciário da Papuda.

“Estávamos absolutamente tensos porque quem tem acompanhado a saúde do Genoino sabia que ele estava em uma situação muito difícil. Junto com a família estávamos chegando às raias do desespero, a ponto de falarmos com vários outros membros do Supremo pedindo que nos ajudassem nessa questão. Não é possível que um país democrático como o Brasil pudesse perder uma pessoa (dessa maneira). A vida dele estava em risco.”

O ministro petista disse esperar que no caso de Genoino “prevaleça o bom senso”. “Tudo indica que ele tem essa possibilidade da prisão domiciliar para ser tratado. A nossa esperança é que prevaleça o bom senso, mas não entro nesse mérito porque esse mérito é do STF e tem que ser respeitado.”

Carvalho afirmou ainda que o ex-presidente do PT é uma “referência ética”. “Ele nunca se apropriou de nada para ele e chega à idade em que está sem ter nenhuma posse, nenhuma acumulação. Ao contrário, é referência de ética para nós.”

Pizzolato. O ministro se recusou a comentar a fuga do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, até agora o único condenado pelo mensalão foragido. Também não quis falar sobre as queixas feitas por Pizzolato a amigos de que teria sido abandonado pelo PT e, por isso, optara pela fuga para tentar se defender em um novo julgamento na Itália.

“Não posso falar nada sobre o Pizzolato porque não estava próximo a ele. Não o acompanhei, não o vi nos últimos tempos, não posso falar desse caso”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.