“Como José Dirceu se transformou no vilão da República?” Esta é a pergunta a que a cineasta Tata Amaral (de Antônia e Hoje) quer fazer em seu mais novo filme, O Vilão da República, um documentário sobre o ex-chefe da Casa Civil do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para a realização do projeto, a Tangerina Filmes, produtora de Tata, poderá captar, por meio da Lei Rouanet, R$ 1,5 milhão, em renúncia fiscal.

Em entrevista por e-mail, a diretora preferiu se ater “às respostas relativas ao filme e não ao fato”. Quando questionada sobre o que pensa da análise do mensalão, sobre a tese de Dirceu de que se trata de um julgamento político e sobre sua opinião sobre o escândalo, ela preferiu não se manifestar.

O documentário vai abordar desde o período em que Dirceu foi ministro-chefe da Casa Civil até o final do julgamento do mensalão. “A ideia é acompanhar a intimidade deste personagem controverso num momento importante de sua vida. Acho que o filme pode ficar interessante e, do ponto de vista criativo, é um enorme desafio”, diz Tata.

A cineasta pretende viajar para os EUA, Cuba, Venezuela para ouvir uma “lista grande de pessoas”, mas diz que não fará um filme de entrevistas, jornalístico. “É mesmo um documentário de observação. Acho que, no Brasil, não temos a tradição de tematizar acontecimentos no calor do momento. Este será mais um desafio do filme: trabalhar com o atual, o contemporâneo, o ‘hoje'”, afirma.

De algumas entrevistas preliminares, Tata já conta com quase 20 horas de material. “Tenho acompanhado José Dirceu, sim. É muito interessante partilhar do cotidiano de uma pessoa num momento tão decisivo de sua vida”, considera. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.