A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, ampliou o movimento de convencimento para que os deputados aprovem o projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB) que altera o Código Florestal, previsto para ser votado em meados do próximo mês. Segundo a senadora, caso o documento de Rebelo não seja aprovado, a agricultura brasileira diminuirá sua área plantada em 20 milhões de hectares nos próximos 10 anos.

Em reunião com secretários de agricultura de vários Estados, na tarde de hoje, em Brasília, Kátia pediu claramente que eles apresentassem os argumentos favoráveis à aprovação do projeto a seus deputados. Mais do que isso, convocou os presentes a convencerem os governadores de seus Estados a enviar uma carta à Casa Civil e à própria presidente Dilma Rousseff abordando o tema. A presidente da CNA promete não parar por aí. Ela quer fazer o mesmo trabalho, em até 20 dias, com os secretários estaduais de Meio Ambiente.

A via crucis da senadora contará também com visita às redações dos principais jornais do País, entre eles o Estado de S. Paulo, nos próximos dias, para expor seus argumentos. “Vamos votar e sinto que os ambientalistas estão com medo, por isso, estão tentando postergar a votação”, disse aos secretários.

Conforme Kátia, a CNA fez um “árduo trabalho” de convencimento nos últimos dois anos a favor da alteração da lei do Código Florestal, que é de 1965. “Nossa opção foi pela ciência”, defendeu. Para ela, os representantes de organizações não governamentais (ONG) têm apresentado argumentos pautados apenas pela ideologia. “Eles são contrários à agricultura brasileira e defendem seus países”, disse, citando a Holanda e a Inglaterra como exemplos.

Durante o encontro, a senadora elogiou o trabalho da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e disse que ela não é uma “radical”. Ao final da reunião, a presidente da CNA avaliou que os secretários mostraram-se dispostos a colaborar, apesar de muitos deles serem de partidos diferentes: da base governista e da oposição. “Não encontrei até agora nenhum que fosse contrário ao relatório do deputado Aldo”.