A primeira reunião da CPI do Porto de Paranaguá na Assembléia Legislativa, na terça-feira à tarde, já demonstrou que seus trabalhos não serão exatamente um mar de tranqüilidade. Os integrantes da base governista propuseram a requisição de documentos que permitissem comparar o desempenho da administração do porto no último ano do governo passado com o da atual. A questão foi decidida no voto e os oposicionistas, que são maioria, derrubaram a proposta.

O presidente da CPI, deputado Valdir Rossoni (PSDB), considerou a manobra uma tentativa de mudar o foco das investigações: “Esse não é o objetivo da comissão e não vamos direcionar nosso trabalho nesse sentido. O objetivo da CPI é apurar as causas da crise que tomou conta do porto nesta administração, contribuindo para recuperar seu bom funcionamento. Isso deve ser feito com a máxima brevidade, para evitar prejuízos à cidade, ao Estado e ao País. A idéia é concluir o trabalho dentro do prazo regimental”, afirmou o deputado. O Regimento Interno da Casa dá 120 dias para a comissão apurar as denúncias e apresentar o relatório. Se o prazo não for suficiente, pode ser prorrogado.

Durante a reunião de anteontem, também ficou decidido que as primeiras ações da CPI serão requerer ao Tribunal de Contas do Estado as prestações quadrimestrais da APPA, levantar os resultados de comissão especial criada na Casa há cerca de 10 anos para examinar problemas portuários, solicitar às principais redes de TVs no Estado as cópias de reportagens sobre os problemas apontados no Porto de Paranaguá.

O parlamentar tucano citou alguns temas que deverão ser abordados pela CPI, como as denúncias de sumiço de soja e de contêineres, a legalidade dos contratos de seguro, a contratação de serviços de dragagem em regime de urgência, a falta de investimentos no porto e os problemas sanitários. A próxima reunião da CPI está marcada para segunda-feira (3), às 17 horas, na sala das comissões da Assembléia Legislativa. Não estão previstos depoimentos por enquanto.