A Comissão de Ética da Câmara Municipal de Curitiba irá se reunir na próxima quinta-feira, para decidir que posição adotar em relação ao vereador Denilson Pires (DEM), preso anteontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores das Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba (Sindimoc), Pires, e o presidente estadual do PMN, Valdenir Dias, advogado da entidade, estão sendo investigados por suspeita de formação de quadrilha e desvio de dinheiro.

Allan Costa Pinto
Denilson Pires: preso por suspeita.

O presidente da Câmara Municipal, João Claudio Derosso (PSDB), disse que é improvável que a Comissão adote alguma providência sobre o vereador antes de uma conclusão final da Justiça sobre o caso. “A Câmara não pode pré-julgar o vereador. A assessoria jurídica está acompanhando o caso, mas qualquer atitude envolvendo o mandato dele somente pode ser tomada após o julgamento”, comentou. “Por enquanto, a fase é de investigação”, acrescentou. Derosso observou que a prisão do vereador é válida por cinco dias, se não houver prorrogação. Neste período, a Câmara Municipal pode apenas registrar as ausências às sessões. Além de Pires e Dias, foram presos Valdecir Bolette (atual tesoureiro do Sindimoc) e Fátima Butinhoni (assessora do vereador).

Reflexos

Como o PMN e o DEM integram a coligação de apoio à candidatura do tucano Beto Richa ao governo do Estado, as prisões estão repercutindo entre os adversários do ex-prefeito de Curitiba, que têm comentado o assunto no twitter. Valdenir Dias foi eleito vereador em 2004 e cassado em 2008 por abuso de poder econômico. Ele é apontado pelos adversários como um dos responsáveis pela mediação da campanha tucana com os movimentos sociais, já que dirige também a Federação das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana (Femoclan), considerada um braço da prefeitura de Curitiba nos bairros.

Ontem, durante uma mesa redonda promovida pelo portal UOL e o jornal Folha de S. Paulo, com participação do público externo, o candidato ao governo Beto Richa foi questionado sobre sua relações com o vereador do DEM e o presidente do PMN. Beto respondeu que o presidente do Sindimoc não tem envolvimento nenhum em sua campanha. “Ele nunca foi coordenador da minha campanha. Todos sabem que o meu coordenador é o João Elísio Ferraz de Campos”. A pergunta, enviada por um internauta, foi criticada pelo candidato do PSDB. “Essa pergunta só pode ter vindo de um adversário político”, reagiu o ex-prefeito de Curitiba.