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 Eduardo Paes: relatório sai quando a comissão tiver condições.

O relator-adjunto da CPMI dos Correios, Eduardo Paes (PSDB-RJ), reuniu-se ontem com 20 técnicos de instituições como Banco Central, Polícia Federal, Receita Federal e Tribunal de Contas da União (TCU) para definir novos focos da investigação, em especial as empresas privadas. A CPMI pretende descobrir como funcionava o financiamento privado do milionário esquema de caixa 2 montado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

Até agora, a apuração avançou mais na ligação do esquema com empresas públicas. ?Estamos fazendo um pente-fino, tentando amarrar as coisas como amarramos na questão da Visanet, em que se chegou a um nível de detalhes em que se descobriu de onde vinha o dinheiro, para que serviu, quem alimentou uma parte desse esquema. Em outras áreas, as investigações chegaram a algumas descobertas, mas faltam elementos. É o caso do financiameto privado do valerioduto, ou esquema do mensalão, ou qualquer outro nome que se dê?, disse Paes.

No caso da Visanet, que tem participação acionária do Banco do Brasil, a CPMI dos Correios denunciou que, sob a fachada de um contrato publicitário com a agência DNA, de Marcos Valério, foram repassados R$ 10 milhões ao PT. A DNA recebeu do Banco do Brasil um adiantamento de R$ 35 milhões para a campanha da Visanet. Uma semana depois, a agência depositou R$ 10 milhões no BMG, banco que fez um empréstimo no mesmo valor, na mesma semana, para outra empresa de Marcos Valério. A CPMI sustenta que o empréstimo serviu para repassar o dinheiro ao PT. O Banco do Brasil nega que tenha feito parte de uma operação forjada para abastecer o partido.

A CPMI está na fase da apresentação de sub-relatórios, mas vive um conflito entre governistas e oposicionistas por causa da inclusão ou não do nome do senador tucano Eduardo Azeredo (MG), que teve dinheiro do caixa 2 de Marcos Valério em sua campanha ao governo de Minas, em 2002. ?Está na hora de ter equilíbrio para não virar uma guerrinha de vaidades?, alertou Eduardo Paes.

O deputado disse que a CPMI dos Correios não será como a do Mensalão, que acabou sem relatório definitivo, ou do Banestado, que teve relatórios diferentes por causa de brigas entre os integrantes. ?A CPMI vai votar um relatório final quando tiver condições. Não teremos relatórios paralelos, não vamos deixar isso acontecer?, disse o relator-adjunto.

Eduardo Paes também comentou a denúncia publicada pela agência internacional de notícias Reuters de que integrantes da comissão teriam cobrado propina a corretoras de valores que estão sob investigação e que teriam o sigilo bancário quebrado pela CPMI. Os requerimentos para a quebra do sigilo teriam sido apresentados pelo deputado Carlos William (PMDB-MG), sub-relator do Institutos de Resseguros do Brasil (IRB) na CPMI. Ele disse que a questão não ficou muito clara.