Após dar um desfecho para o processo envolvendo o ex-ministro Antônio Palocci na Lava Jato, o juiz federal Sergio Moro deve se debruçar sobre o caso do tríplex no Guarujá, que envolve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta segunda-feira (26), o magistrado condenou Palocci a 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro referente a contratos da Sete Brasil com a Petrobras. O processo de Lula está pronto para sentença desde a última terça-feira (20), quando as defesas dos réus entregaram ao juiz suas alegações finais.

Nesta semana Moro deu uma pausa nas audiências de outro processo envolvendo Lula, em que o ex-presidente é acusado de irregularidades no aluguel de um imóvel em São Bernardo e na compra, pela Odebrecht, de um terreno para a construção de uma nova sede do Instituto Lula. A próxima audiência do caso ocorre apenas na sexta-feira (30). Até lá, Moro não tem nenhuma outra audiência marcada e pode aproveitar o tempo “livre” para analisar o processo do tríplex.

Ao todo, Moro terá pela frente a leitura de quase mil páginas de alegações finais. Os documentos foram entregues pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Petrobras, que atua como assistente de acusação, pedindo a condenação de Lula, e pelas defesas dos sete réus no processo. São 985 páginas de documentos – além dos documentos em anexo às alegações que devem ser levados em conta por Moro ao dar a sentença do caso.

O MPF pediu que o ex-presidente seja condenado e cumpra pena em regime fechado. Já a defesa de Lula nega que o petista seja o proprietário do tríplex em questão. Segundo os advogados, quem detém 100% dos direitos econômico-financeiros do imóvel é a Caixa Econômica Federal, que por sua vez negou a versão de Lula.

Na denúncia, o MPF acusa Lula de receber benesses da OAS por contratos da empreiteira com a Petrobras através da compra e reforma de um tríplex no Guarujá. Além disso, o MPF aponta para irregularidades no armazenamento de bens da Presidência, que pertencem ao ex-presidente Lula e foram armazenados após sua saída do cargo, em 2010.

A sentença de Moro para o caso é aguardada com expectativa, já que pode dar o start de uma corrida pela ilegibilidade ou não de Lula em 2018. Se for condenado em segunda instância, pela Lei da Ficha Limpa, Lula ficaria inelegível na corrida presidencial do ano que vem. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) leva em média 15 meses para analisar as sentenças proferidas por Moro. Caso o magistrado paranaense publique ainda neste mês uma sentença no caso do tríplex e a média do TRF4 for mantida, Lula pode ser condenado em segunda instância em setembro do ano que vem – um mês antes das eleições.