Foto: Lucimar do Carmo

Campanha na Rua XV.

Começou ontem em todo o País e vai até o dia 7 de setembro o plebiscito que pede a nulidade da venda da Companhia Vale do Rio Doce, ocorrida em 1997. A consulta popular está sendo realizada pela sociedade civil organizada e, apesar de não ser oficial, pode servir como um instrumento para pressionar o Legislativo, Executivo e Judiciário. No Superior Tribunal de Justiça existem 60 ações populares pedindo a reestatização da mineradora.

De acordo com o integrante da direção nacional do movimento Consulta Popular, Antônio Goulart, a Vale do Rio Doce foi vendida por apenas R$ 3 bilhões, enquanto se sabia que o valor era de pelo menos R$ 100 bilhões. Ele diz que o processo de venda teve várias irregularidades e poderia ser cancelado pela Justiça. No entanto, diz que isto ainda não aconteceu porque há muitos interesses econômicos e políticos particulares em jogo.

Com o plebiscito, querem juntar o maior número possível de votos em todo o País, pressionando os três poderes para que a empresa volte a ser uma estatal. Ele explica que existem vários motivos para isto. No material que eles estão distribuindo à população afirmam que o lucro anual da empresa é de R$ 10 bilhões. Com isso, se poderia construir 167 hospitais, 202 mil casas populares, 68 universidades e 1.627.580 assentamento rurais. Mas o dinheiro acaba indo para o capital estrangeiro.

Além disto, Goulart defende que reestatizar a Vale é uma questão de soberania nacional. ?Na divisão internacional do trabalho, a América Latina cumpre o papel de fornecedora de matéria-prima, a Ásia com sua mão-de-obra barata e os capitais se acumulando nos países centrais, a Vale se torna uma empresa estratégica?, fala.

No Estado, as atividades iniciaram em julho, marcadas pela elaboração de materiais didáticos e com a organização de comitês instalados na capital e em Londrina, Cascavel, Maringá e Guarapuava. Também foram feitos cursos de formação e debates a respeito do assunto para que a população votasse de forma consciente.

João da Costa Oliveira Bisneto, 66 anos, funcionário público aposentado, conta que foi até a Boca Maldita ontem só para votar. ?Foi um absurdo o que fizeram com a Vale. Não foi vendida por um preço justo. Acho que este plebiscito tem força para reverter a situação?, falou.

Além da Vale, a consulta popular também está perguntando a opinião da população sobre o pagamento dos juros da dívida externa e interna, a privatização da energia elétrica e a reforma da previdência. As pessoas que quiserem votar podem ir à Boca Maldita, no centro de Curitiba. A urna também estará em terminais de ônibus e escolas. O resultado nacional será entregue no dia 25, em Brasília.