A CPI da Copel vai sugerir o rompimento do contrato entre a estatal e a UEG Araucária. A decisão foi tomada após o depoimento do diretor administrativo da UEG, Edílson Matos Novak, ontem, na Assembléia Legislativa. “Tivemos a confirmação de que essa negociação entre as empresas foi lesiva ao patrimônio público. Por isso, vamos pedir a suspensão do contrato”, disse o deputado Marcos Isfer (PPS), presidente da comissão.

Os últimos depoimentos a CPI comprovariam a tese de que a Copel perdeu dinheiro na negociação de compra e venda de energia. O ex-diretor de Negócios e Participações da estatal, Mário Bertoni, o engenheiro eletricista da empresa Ricardo Dória e o diretor da UEG Edílson Novak concordaram que o acordo foi ruim para a empresa. “Isso demonstra omissão da diretoria da época, que não observou outros estudos que indicavam o risco atual de pagar por um produto que não utiliza”, ponderou Isfer, lembrando que ocorreram alterações não previstas no projeto original da construção da usina, que elevaram seu custo final.

A Copel teve um prejuízo de Us$ 340 milhões, utilizados na construção da usina, além de um custo mensal de R$ 24 milhões mensais para comprar 100% da energia gerada pela UEG.

Nos últimos quatro meses, a estatal desembolsou R$ 74 milhões em compra de potência, além de outros gastos de R$ 16 milhões em seguros e R$ 13 milhões de componentes e peças para reposição. Alguns estudos mostraram que esses valores estavam acima do mercado.

A advogada Hortênsia Tardelli, ex-funcionária da estatal e que vistou o contrato, não compareceu e será ouvida na próxima sessão, amanhã, às 10h30, na sala das comissões da Assembléia Legislativa. Além de Hortênsia, a comissão vai ouvir representantes da Olvepar, credora da Copel, e da El Paso, que intermediou diversos negócios da estatal. O engenheiro eletricista Ricardo Dória compareceu a reunião da CPI como convidado. Na semana passada ele acusou a diretoria da empresa de ter avaliado mal um estudo que previa o risco de superoferta e o pagamento de energia não utilizada. Também como convidado o funcionário da Compagás, Manoel Messias de Almeida falou sobre a qualidade do gás utilizado pela usina para a produção de energia. Havia suspeita de que o gás não estava dentro das normas técnicas.