A CPI da Petrobras ouvirá na tarde desta terça-feira, 18, apenas dois dos quatro depoimentos agendados para o dia. Em uma fase pouco produtiva, a comissão terá apenas oitivas de antigos gerentes do Banco do Brasil acusados de envolvimento com os doleiros investigados na Operação Lava Jato.

Serão ouvidos Rinaldo Gonçalves de Carvalho, ex-gerente do Banco do Brasil acusado de colaborar com o grupo da doleira Nelma Kodama para viabilizar operações financeiras ilegais. O outro depoente é José Aparecido Augusto Eiras, ex-gerente do Banco do Brasil suspeito de ligação com os doleiros Raul Srour e Nelma Kodama. Ele faltou ao depoimento do último dia 11, mas apresentou atestado médico.

O depoimento de Richard Andrew Van Otterloo, previsto para esta tarde, será remarcado. O sócio de Raul Srour, também ligado ao doleiro Alberto Youssef, alegou à comissão que estava viajando e que não teria tempo hábil de comparecer à sessão. Segundo as investigações, conta em Luxemburgo de uma das empresas de Otterloo teria sido usada pela empresa alemã Siemens para pagamento de propina a agentes públicos brasileiros. Assim como Youssef e Srour, Otterloo foi condenado em 2011 pela Justiça Federal por participação no caso Banestado – evasão de US$ 30 bilhões nos anos 1990.

Maior ausência

O depoimento mais esperado de hoje era de Leonardo Meirelles, suposto “laranja” de Youssef no laboratório Labogen. Meirelles disse no ano passado à Justiça que o doleiro trabalhou para o PSDB, mais especificamente com o ex-senador e presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

O dono da Labogen, que era usada por Youssef, teve como seu maior negócio um contrato que seria fechado com o Ministério da Saúde para fornecimento de medicamentos. O contrato foi negociado durante a gestão do ex-ministro Alexandre Padilha – hoje secretário municipal em São Paulo. Segundo as investigações, um dos intermediadores do negócio seria o ex-deputado federal André Vargas (sem partido – PR), hoje preso na Operação Lava Jato. Meirelles já confessou à Justiça Federal que fazia importações fictícias para o doleiro, via Hong Kong, para mandar dinheiro para fora do País.

Meirelles não foi encontrado para prestar depoimento à comissão. No ano passado, o colaborador de Youssef prestou depoimento no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados no processo de cassação de Vargas.