A polêmica sobre o fechamento do curso de Medicina na Universidade Estadual de Ponta Grossa tumultuou a base de apoio ao governo na Assembléia Legislativa. Cerca de quarenta deputados do bloco assinaram uma moção em favor da reabertura do curso, proposta pelo deputado Jocelito Canto (PTB). Surpreendido, o líder do governo, deputado Angelo Vanhoni (PT), fez uma cobrança coletiva em uma reunião anteontem no final da tarde com todos os integrantes da bancada.

Os aliados reconheceram o “deslize”, mas argumentaram que foram apenas solidários a um colega e que grave seria se tivessem assinado o projeto de decreto legislativo de autoria do líder da bancada do PFL, deputado Plauto Miró Guimarães, que revoga o decreto do governador Roberto Requião (PMDB), acabando com o curso. O deputado Nereu Moura (PMDB) disse que houve falha dos dois lados. Do líder, por não ter deixado clara sua orientação, e dos deputados, por não terem perguntado como deveriam se comportar em relação à matéria.

“Apenas avalizamos uma reivindicação de um outro deputado, como tradicionalmente fazemos aqui. Isso não quer dizer que tenha havido contrariedade em relação à orientação da liderança do governo. Em início de governo, a gente sempre dá umas patinadas. Nossa cultura é de oposição e nós estamos em um período de adaptação à situação. Este episódio, para nós, foi uma escola”, disse Moura.

Vanhoni afirmou que se equivocou ao chamar a atenção dos deputados. “Pensei que tinham assinado o projeto de decreto legislativo mas, depois, descobri que se tratava da moção. A moção não preocupa porque se trata apenas de ser solidário a outro deputado. Além disso, o curso está apenas suspenso”, afirmou o líder.