Principal delator da Operação Quadro Negro, o dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, parabenizou o presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano (PSDB), pela condução da votação do “pacotaço”, em 29 de abril de 2015. O episódio – que ficou conhecido como “Batalha do Centro Cívico” – terminou com mais de 237 feridos, depois que manifestantes foram reprimidos pela Polícia Militar (PM), ao tentar entrar na Assembleia. Além disso, o empreiteiro ironizou o impacto do confronto à carreira política do então governador Beto Richa (PSDB).

O laudo do iPhone de Lopes de Souza – aprendido pelas autoridades – mostra que na noite de 29 de abril, o empresário acessou notícias sobre a votação do “pacotaço” e sobre o confronto. Em seguida, às 22h37, ele enviou uma mensagem ao presidente da Assembleia. “Traiano foi firme!! Parabéns!”. O deputado apenas agradeceu: “Obrigado”.

Ademar Traiano conduzia a votação do “pacotaço” na Assembleia Legislativa, que estava isolada por tropas da PM. Cerca de 20 mil manifestantes tentaram entrar no prédio, mas a polícia reagiu, iniciando o confronto. Do plenário, deputados chegaram a sugerir a interrupção da sessão, mas Traiano insistiu: “Vamos votar! As bombas são lá fora!”.

Impacto para Richa

Após cumprimentar Traiano pela “firmeza” na votação, Lopes de Souza compartilhou em um grupo de WhatsApp um link de reportagem sobre a “Batalha do Centro Cívico”. O dono da Valor e outro participante do grupo ironizaram os eventuais impactos que o episódio poderia causar à carreira de Richa.

Participante X: “O Beto já comprou a casa em Miami!!! Aqui já era”

Lopes de Souza: “Kkk já era pra nós!!! Ele vai pra Miami”

Participante X: “gastar kkk”

Participante X: “Os 8 bi [bilhões]”

Lopes de Souza: “kkkk”

Participante X: “Vcs já viu o filho do requiao [Requião]”

Participante X: “O guri é pior que o pai!”

Lopes de Souza: “Vai ser ministro do aecio [Aécio Neves (PSDB)]!!!! Kkkk”

Impactos à educação

A Quadro Negro apontou o desvio de mais de R$ 20 milhões de recursos que deveriam ser aplicados na construção ou reforma de escolas estaduais. Pelo esquema, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) liberava pagamentos às construtoras a partir de medições fraudulentas, que atestavam que as obras estavam em estágio mais avançado do que elas, efetivamente, se encontravam.

Segundo a delação de Lopes de Souza, parte do dinheiro abasteceu campanhas políticas, entre as quais a do ex-governador Beto Richa (PSDB). Ele também implicou outros políticos, como os deputados Traiano, Valdir Rossoni (PSDB), e Plauto Miró (DEM).

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