O relator da CPMI do Desmanche no Congresso Nacional, deputado federal Hidekazu Takayama (PMDB), disse ontem, durante audiência pública na Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu, que ficou assustado com o teor das denúncias que chegaram ao seu conhecimento tanto na cidade como em Maringá. As denúncias apontam o envolvimento de pessoas importantes e influentes da sociedade com quadrilhas especializadas em roubo de veículos.

“As denúncias e as provas documentais estão muito bem guardadas num cofre. Portanto, longe daqueles que pensam em prejudicar o trabalho desta relatoria, roubando esses documentos, ameaçando ou até mesmo atentando contra a minha vida. Mas posso garantir que todas essas denúncias serão apuradas, porque não queremos cometer injustiça com quem quer que seja”, disse.

De acordo com as denúncias, a região de Maringá é tida como um centro de roubo e desmanche de caminhões, com o envolvimento de pessoas importantes, que por causa de sua influência na sociedade se mantêm impunes. O mesmo ocorre em Foz do Iguaçu e até em Guaíra.

Roubos

Em Foz do Iguaçu, até abril deste ano, foram registrados cerca de 2.500 roubos e furtos de veículos, de acordo com dados fornecidos pela Policia Militar. Mas apenas 700 carros foram recuperados e devolvidos aos proprietários. Os números levaram o vereador Edson Mezomo (PPS) a apresentar requerimento pedindo a realização de uma audiência publica da CPMI naquela cidade. O documento foi aprovado por unanimidade.

O vereador considera inaceitável o fato de o município possuir poucos acessos (via Santa Terezinha, Ciudad Del Este e Puerto Iguazu) e não conseguir recuperar um número maior de veículos. “Além do mais, existe uma outra modalidade de crime que nos tem preocupado muito, que é o roubo de veículos seguido de extorsão. O bandido rouba o veículo, liga para a vítima e exige certa quantia em dinheiro para devolver o carro. Na maioria das vezes chega a pedir 1/3 do valor do veículo.”

Ele reforçou a suspeita de Takayama de que existem pessoas influentes envolvidas no roubo e desmanche de veículos. “O fato, aliás, foi amplamente divulgado pela imprensa local no ano de 2002, mas estranhamente quase nada foi feito desde então. Acredito que, agora, com a vinda da CPMI vamos poder instalar um disque-denúncia e iniciar uma verdadeira guerra contra o crime organizado”, concluiu.