Os deputados eleitos pelo PV em 2010 deram, na sexta-feira, a primeira mostra de que realmente pretendem ter mais voz e dar as cartas no partido e impuseram uma significativa derrota ao atual presidente da legenda no Estado, Antônio Jorge Melo Viana, ao rejeitarem por 11 votos a cinco, na reunião da Executiva Estadual, a proposta de adesão do partido ao governo Luciano Ducci (PSB) em Curitiba.

Na reunião de sexta-feira, os deputados estaduais Rasca Rodrigues e Roberto Aciolli e a deputada federal Rosane Ferreira lideraram a votação para que o partido assuma uma postura de independência em relação a suas posições na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal de Curitiba, seguindo a mesma linha já adotada pela bancada federal do partido em relação ao governo Dilma Rousseff (PT).

A posição contraria posturas recentes do PV, que, nos últimos anos acabou se alinhando com o Executivo, recebendo, até, cargos para isso, com o próprio Melo Viana sendo secretário de Controle Interno do governo Roberto Requião (PMDB). A intenção com a proposta de adesão à administração municipal era semelhante: o Partido Verde assumiria uma nova pasta, relacionada à Sustentabilidade, que Luciano Ducci planeja criar, indicaria nomes para o governo municipal, entrando oficialmente na base de apoio a Ducci na Câmara Municipal, onde tem dois vereadores: Paulo Salamuni e Aladim Luciano.

Porteira fechada

A oferta seria, também uma forma de Ducci fechar uma porta para um de seus potenciais principais adversários na eleição municipal de 2012, o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PSDB).

Fruet, que disputa o comando do PSDB municipal, pode não ter espaço para disputar a eleição pelo partido caso os tucanos mantenham a aliança com Ducci e apoiem a reeleição do prefeito.

Sem mandato, Gustavo Fruet estaria livre para trocar de partido e o PV seria uma das possibilidades (PMDB e PDT também ensaiam convite, ao tucano que, até agora, diz não pretender trocar de partido).

Na reunião de sexta-feira, a bancada do PV manifestou uma posição antecipada pela deputada Rosane Ferreira a O Estado na edição do último domingo (dia 30/01), quando ela pregou uma revisão geral no PV estadual e disse que os deputados e vereadores do partido queriam mais voz dentro da direção, mostrando descontentamento com a forma como a legenda vinha sendo conduzida.

Sexta-feira, antes mesmo da reunião, ela manifestou, via twitter, sua posição. “Dirigentes do PV faziam parte do governo Requião e a justificativa era “afinidade ideológica’. E agora, qual a justificativa para ocupar cargos na Prefeitura de Curitiba?”, indagou ela.

E acrescentou: “10% do salário dos parlamentares, 20% dos cargos de gabinete disponibilizados regimentalmente ao PV é o suficiente para garantir independência! O PV não está à venda!”. Ela avisou a direção do PV, mas Melo Viana resolveu correr o risco, foi para o enfrentamento e perdeu.