Um grupo de deputados começou um lobby ontem para que a Assembléia Legislativa suspenda os trabalhos no mês de setembro. Os deputados querem se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral e retornar apenas depois da eleição, marcada para o dia 6 de outubro. Há um mês, a Assembléia já adotou um regime especial, realizando sessões apenas às segundas e terças-feiras. O expediente na terça-feira é pela manhã para que os deputados tenham a tarde livre para a campanha.

O líder do governo, Durval Amaral (PFL), defende que seja feito um esforço concentrado nos dois primeiros dias de setembro para limpar a pauta. “Podemos concentrar o trabalho em dois dias, sem nenhum prejuízo”, justificou Amaral, que desde o início da campanha eleitoral vem defendendo o recesso “branco”.

O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), ainda não respondeu se aceita a proposta. Brandão disse que, antes de decidir, terá que avaliar quais são os assuntos mais urgentes para votação e se duas sessões podem dar conta dessas matérias. “Se acharmos que sim, não há problemas. Se sobrarem apenas os projetos de utilidade pública, tudo bem”, disse.

O recesso “branco”, entretanto, não tem a aprovação unânime no plenário. O líder do PMDB, Nereu Moura, disse que não aceita a fórmula. “Os deputados têm que conciliar o trabalho legislativo com a campanha. Quem não conseguiu viabilizar a eleição durante quatro anos, não vai conseguir isso no último mês de campanha eleitoral”, afirmou.

Moura afirmou que vai propor que aqueles que quiserem tempo livre para a campanha se licenciem do mandato. “Acho que o mínimo é ter sessões na segunda e terça-feira. Fechar a Assembléia por um mês, não faz sentido”, criticou.