Foto: Sonia Baiocchi/Agência Câmara

Câmara Federal: 133 parlamentares são pré-candidatos a prefeito nas eleições do ano que vem.

Um em cada quatro dos 513 deputados federais pretende disputar as eleições municipais do ano que vem. O levantamento é do Congresso em Foco que apurou que a 13 meses da disputa, 133 parlamentares são pré-candidatos a prefeito.

O levantamento feito pelo Congresso em Foco nas lideranças partidárias e nos gabinetes dos próprios parlamentares mostra que a bancada governista é a mais atraída pelas urnas. Só no PT, praticamente um terço dos 81 deputados está de olho em alguma prefeitura. No PCdoB, o gabinete municipal é cobiçado por dez de seus 13 representantes na Câmara. Ao todo, 40 parlamentares, que fazem oposição ao governo Lula, acenam com pré-candidaturas. A lista completa pode ser conferida no site www.congressoemfoco.com.br.

Segundo o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB da Câmara, os partidos que formam a coalizão do governo Lula ainda pretendem se reunir para discutir nomes nas principais 100 cidades brasileiras, incluindo capitais e cidades de médio ou grande porte. ?A intenção é agregar a base de modo que ela não se divida nas eleições?, declarou.

Das bancadas estaduais, a Bahia é a que tem mais pré-candidatos, 16, seguida pelas bancadas do Rio de Janeiro, com 15, e de São Paulo, 14. Dos paranaenses, oito parlamentares apareceram na lista, no entanto, alguns já trataram de desmentir a informação, como Ângelo Vanhoni (PT), apontado como candidato em Curitiba, mas revelou que não disputará o pleito do ano que vem. ?Já me posicionei em favor da candidatura de Gleisi Hoffman, vou ajudá-la a se eleger prefeita?, declarou.

Apontado como pré-candidato à prefeitura de Maringá, Ricardo Barros (PP) também negou. ?Não há nenhuma possibilidade, o prefeito Silvio Barros será candidato à reeleição?, disse o deputado, que é irmão do atual prefeito do município. Para Alfredo Kaefer (PSDB), citado como possível candidato em Cascavel, esse não é o momento para se discutir as eleições do ano que vem. ?Isso não é objeto de discussão nesse momento. Meu compromisso é com o mandato na Câmara. Não posso dizer que ?dessa água não beberei?, mas essa decisão é para ser tomada na véspera das convenções do partido no ano que vem?, desconversou. Também são citados pelo levantamento do Congresso em foco os deputados paranaenses André Vargas (PT), Barbosa Neto (PDT) e Luiz Carlos Hauly (PSDB), com pré-candidatos em Londrina, além de Ratinho Júnior (PSC), em Curitiba, e Cézar Silvestre (PPS) – Guarapuava.

Na última eleição municipal, em 2004, 87 deputados federais disputaram o cargo de prefeito ou vice. Desses, no entanto, apenas 19 (21,8%) tiveram sucesso nas urnas. Consultado pelo Congresso em Foco, o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, disse que o interesse dos parlamentares brasileiros em interromper o mandato para disputar eleições municipais ?é uma tradição da política brasileira?. Esse fenômeno é ainda maior nas Assembléias Legislativas. ?Muitos entram na corrida para angariar apoio para aliados municipais e vereadores. E, claro, isso se reflete numa eventual candidatura de reeleição do deputado em 2010?.

Entidade condena os parlamentares

Da Redação

A informação de que 25% dos deputados federais pretendem ser candidatos nas próximas eleições municipais, originou um levantamento da Rede de Participação Política do Empresariado com seus associados e que foi constatado o desapontamento dos eleitores com a intenção de políticos em interromper seus mandatos de deputado para a disputa municipal.

No entendimento dos participantes da rede, o intuito dos políticos brasileiros é angariar aliados municipais e vereadores para uma eventual candidatura de reeleição a deputado em 2010, além da tentativa de crescimento dos partidos.

Quase que unânime, as opiniões manifestam o descrédito nos políticos e nas leis do País, que permitem tais atitudes. ?Acho terrível esse ?pula-pula? de vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, como senadores. Não gostaria de ver um deputado no qual votei ?abandonando? sua responsabilidade política. Vejo a maior cidade do Brasil sendo administrada por um cidadão na qual não foi eleito (São Paulo)?, opinou a participante Laura Dagmar Calixto.

Na tentativa de coibir ações dessa natureza na política, o participante Sergio Antonio Bork sugere que a sociedade promova uma divulgação em massa, mobilizando uma votação contra os políticos que deixarem de cumprir seus mandatos até o fim. A reforma política – em discussão no Congresso – é apontada por diversos internautas como fator que pode mover uma renovação das esferas da política nacional.

Lançada em abril de 2006, a Rede de Participação Política do Empresariado, movimento lançado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em parceria com a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), é propositiva e apartidária e visa aglutinar forças da sociedade em torno da construção de um projeto de aprimoramento da maneira de fazer política no Brasil. O principal instrumento é o site www.redeempresarial.org.br, que é um grande fórum virtual e serve de espaço democrático para discussões e proposições de mudanças entre a sociedade e o Estado.