A Assembleia Legislativa manteve, na sessão desta terça-feira, o veto a 20 projetos aprovados em legislaturas anteriores mas barrados pelo ex-governador Roberto Requião (PMDB).

Nem mesmo os projetos de autoria de deputados que hoje pertencem à base de apoio ao governo Beto Richa (PSDB) e à bancada majoritária da Casa tiveram os vetos derrubados. E a orientação foi da liderança do governo, que temia comprometimento do orçamento estadual com a aprovação de novos projetos.

“Precisamos manter esses vetos. O governo está iniciando, os grandes temas de vetos interesse da sociedade estão em debate e serão implementados pelo Executivo”, justificou o líder do governo, Ademar Traiano (PSDB) ao pedir para que todos os deputados votassem “sim” aos vetos.

Seguindo a orientação, os deputados Reni Pereira (PSB) e Elio Rusch (DEM) solicitaram que seus projetos vetados fossem transformados em “indicação legislativa”, uma espécie de sugestão dos deputados ao Executivo Estadual. Reni é autor de proposta de incentivo fiscal a empresas que contratarem jovens ou pessoas com mais de 40 anos e Rusch propôs tarifa reduzida de energia para empreendimentos de turismo rural.

“Esses projetos que mexem com a política econômica, com incentivos fiscais ou isenção de taxas, vão ser objeto de um estudo do governo através da Agência de Desenvolvimento. Temos que derrubar tudo isso porque teremos nosso próprio programa”, defendeu Traiano.

A situação foi invertida para os dois lados. Deputados da base de Requião, hoje oposição, até tentaram derrubar alguns dos vetos do aliado. “A necessidade de limpar a pauta não nos permite considerar correto hoje o que não era certo para o governo anterior”, disse Caíto Quintana (PMDB).

A bancada do PT, outros deputados do PMDB e o deputado Rasca Rodrigues (hoje no PV, mas ex-secretário do governo Requião) votaram pela derrubada do veto ao projeto do ex-deputado Barbosa Neto (PDT) que instituía a figura do professor assistente nas instituições de ensino superior.

Nessa, até um deputado do DEM votou com a oposição. Osmar Bertoldi, que havia se declarado independente do bloco de apoio do governo por descontentamento com Beto Richa, deu seu primeiro sinal de rebeldia ao contrariar a orientação de Traiano e votar pela derrubada do veto.