Um grupo de deputados estaduais está defendendo a criação de uma comissão especial para investigar o projeto da Prefeitura de Curitiba que pretende implantar o Eixo Metropolitano de Transporte na BR-476 (antiga BR-116), e que ligaria o extremo sul (Pinheirinho) ao norte (Atuba) da capital passando por 23 bairros. Eles também sugeriram que o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Câmara de vereadores investiguem a obra.

Atendendo convite do deputado Neivo Beraldin (PDT) o ex-secretário de Obras de Curitiba Leopoldo de Castro Campos, foi ontem à Assembléia Legislativa para falar aos deputados sobre o assunto. Ele denunciou que só nos oito quilômetros iniciais do Eixo, que possui ao todo 22 quilômetros, o município de Curitiba vai gastar R$ 73 milhões, o que representa um investimento de R$ 8 milhões por quilômetro.

De acordo com a Prefeitura, o investimento nas obras do Eixo será de US$ 133,4 milhões. Parte desse dinheiro (US$ 80 milhões) provém de financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Para o ex-secretário, o projeto não possui viabilidade técnica nem econômica, não atende às exigências do DNIT, além de apresentar várias irregularidades, como a falta do estudo de impacto ambiental, de licença do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), e cálculos mais detalhados sobre o tráfego e o número de usuários beneficiados. Campos também questionou a criação de parques públicos ao longo da BR, o que, em sua opinião, colocaria em risco a vida das pessoas: “Não há obra de recuperação das bacias e dos fundos de vale. Os rios Bacacheri, Belém e Ribeirão dos Padilhas, por exemplo, terão sua vazão comprometida”, afirmou.

O ex-prefeito de Curitiba e hoje deputado Rafael Greca de Macedo (PMDB) classificou o custo como uma vergonha. “Posso afirmar como engenheiro que o custo de um quilômetro de asfalto varia, de acordo com o terreno, entre R$ 300 mil e R$ 1 milhão. Esse é o maior escândalo de obra pública do país”, afirmou.