Chuniti Kawamura

A procuradora-geral Jozélia Nogueira
disse que foi agredida verbalmente
pelo governador.

A procuradora-geral do Estado, Jozélia Nogueira, se afastou do cargo nesta terça-feira (22). A demissão, que estaria ligada à postura do governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), em desqualificar decisões da justiça, foi comunicada ao próprio Requião, através de uma carta, divulgada à imprensa. Na última semana, Requião foi multado em R$ 50 mil por ter descumprido a decisão judicial que o impede de utilizar a Rádio e Televisão Educativa do Paraná (RTVE) para autopromoção ou fazer críticas a adversários e desafetos.

Segundo a procuradora, o desligamento do governo se deu em virtude de divergências entre ela e o governador, quanto ao posicionamento da Procuradoria em relação ao interesse público.

Na carta, Jozélia Nogueira diz que foi agredida verbalmente pelo governador. "Vossa Excelência superou-se. Em público, diante da imprensa e de todos os demais secretários de Estado, as agressões verbais ultrapassavam todos os limites de tolerância, de civilidade e, com todo respeito e sinceridade, de educação também".

Além da procuradora-geral, também devem deixar o governo a Diretora Geral, a chefe de Gabinete e a Assessoria Técnica.

Requião tira do ar a programação da TV Paraná Educativa

Foto: Ag. Estadual de Notícias
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Escola do Governo ficou vazia nesta terça-feira (22).

Quem ligou a televisão na Paraná Educativa nesta terça-feia (22) para assistir a famosa Escola do Governo provavelmete levou um susto ao vê-la fora do ar. O governador Roberto Requião determinou que a emissora ficasse fora do ar devido ao episódio envolvendo o desembargador Edgard Lippmann Júnior, da 4ª Região do Tribunal Regional Federal, que proibiu o governador de usar a TV estatal para se auto-promover e de atacar seus adversários.

A Paraná Educativa mostra, a cada 15 minutos, uma nota de desagravo assinada pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) ao desembargador federal Edgard Lippmann Júnior, do Ministério Público Federal (MPF). Mostra também uma nota de Requião, lamentando este episódio, que ele considera censura, e mostra também um comentário do presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) Maurício Azêdo.

A alegação do governador em tirar a programação do ar é a de que seria impossível manter o canal no ar com todas estas interrupções.