Chegou o dia. Os partidos políticos têm até a meia-noite de hoje para entregar à Justiça Eleitoral as atas de suas convenções, com a definição de seus candidatos e as coligações com as quais disputarão as eleições gerais e estaduais de outubro.

Assim, é aguardado para hoje o fim do impasse em torno da candidatura, ou não, do senador Osmar Dias (PDT) ao governo do Estado. Da decisão de Osmar, depende o futuro de diversos partidos que esperam uma aliança para as eleições estaduais, entre eles, PT e PMDB.

Depois de muitas idas e vindas, o pedetista estava pronto para anunciar sua candidatura ao governo, com o apoio de PT e PMDB e outros cinco partidos, quando foi surpreendido pelo convite a seu irmão Alvaro Dias (PSDB) para ser candidato a vice-presidente de José Serra (PSDB).

Alegando constrangimento em disputar num palanque contrário ao do irmão, Osmar voltou atrás no anúncio de sua candidatura, mantendo indefinido o quadro no Estado.

Como o nome de Alvaro ainda não foi oficializado devido à resistência do DEM, PT e PMDB trabalham suas candidaturas, mas também mantém a expectativa da candidatura de Osmar e a construção da chapa única da petista Dilma Rousseff no Paraná.

O PMDB aguarda a definição de Osmar para saber se lança ou não Orlando Pessuti (PMDB) à reeleição. Na noite de ontem, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente afastado, mas ainda de fato, do PDT, esteve em Curitiba para reunião decisiva com Osmar.

Lupi veio ao Paraná convencer o senador a disputar o governo independente da situação de Alvaro, com a tese de que não haveria relação e muito menos disputa entre irmãos, uma vez que “ninguém vota em vice”.

Mas Lupi também ouviu de pedetistas paranaenses apelos para que ele liberasse o Estado a fazer coligações diferentes da aliança nacional do partido, concessão já feita por Lupi no Maranhão, por exemplo.

Com a liberação estudava uma candidatura avulsa de Osmar ao Senado, aliança com o PSDB (conforme proposta apresentada pelos tucanos e anteriormente vetada por Lupi), ou, até a construção de nova aliança, com PPS, PR e PSC para Osmar disputar o governo.

Com essa aliança, Osmar não estaria no palanque de Dilma e não se sentiria adversário direto de seu irmão. Em outra reunião importante em Brasília, os dirigentes do PT do Paraná foram recebidos pelo presidente nacional da legenda, José Eduardo Dutra.

“Vamos aguardar o desenrolar dos fatos, mas decidimos hoje (ontem) que, se Osmar não for candidato, vamos de candidatura própria”, disse o deputado federal André Vargas (PT).

Ele explicou que a opção não é um veto do PT à candidatura de Pessuti. “É uma forma de aumentar as chances de que a eleição vá para o segundo turno”, disse. Outro argumento para a candidatura do PT é que abriria espaço para Osmar disputar o Senado no grupo de apoio de Dilma Rousseff, já que criaria mais duas vagas para candidatura ao Senado.

O grupo já tem Roberto Requião e Gleisi Hoffmann como candidatos. Os nomes definidos hoje ainda podem sofrer alguams alterações até o dia 5 de julho, data final do registro das candidaturas.