A falta de diálogo direto da presidente Dilma Rousseff com os líderes das centrais sindicais é o que explica o fato de as entidades estarem divididas em relação à próxima campanha, segundo o analista político Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Para ele, os líderes sindicais têm influência limitada sobre o voto dos trabalhadores que representam.

Para ele, nenhum candidato, isoladamente, terá força política para implementar uma agenda que implica custos para o empresariado e o próprio governo. Ao analisar o nível de comprometimento desses candidatos deve-se ter em conta os grupos políticos que o apoiam.

“No caso do PT, Lula conseguiu avançar em algumas matérias e Dilma em outras, do ponto de vista sindical. O grupo ao redor dos dois conseguiu empurrar medidas como a lei de valorização do salário mínimo, a correção da tabela de Imposto de Renda, a ampliação do aviso prévio, a PEC das empregadas domésticas e outras”, comentou Queiroz.

Na avaliação do analista, o governo Lula uniu todo o movimento sindical em torno dele e deu tratamento político de diálogo direto com os presidentes das centrais. Dilma, embora tenha feito mais medidas pró-sindicatos do que seu antecessor, com 13 medidas de 2011 até hoje, acabou delegando o diálogo para outros atores de seu governo.

“Ela não é do ramo, realmente. Isso criou nos dirigentes um desconforto, porque havia acesso direto antes. As centrais se dividiram, apoiando candidatos distintos. Na minha avaliação, isso é uma reação ao comportamento da Dilma de não receber diretamente”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.