A CPI da Copel realizou nova reunião na manhã de ontem para ouvir o depoimento de Walfrido Victorino Ávila, diretor-presidente da Tradener Ltda., corretora que atua na comercialização de energia elétrica e intermediária dos principais contratos de venda de energia da Copel feitos fora do Paraná, desde 1998, ano em que a empresa foi constituída com a própria participação da Copel, que é responsável por 45% do seu capital. O que se discute a respeito da Tradener, no âmbito da CPI, é a própria conveniência desta figura intermediária, contratada sem licitação, posto que o corpo técnico da Copel poderia atuar diretamente nesse campo, livre do pagamento de comissões a título de corretagem.

Ex-funcionário da Copel, onde atuou por 27 anos até sua aposentadoria em agosto de 1998, o engenheiro Walfrido Ávila assumiu a presidência da corretora ato contínuo, num momento em que já se experimentava no país a abertura do mercado de compra e venda de energia elétrica, com a livre competição entre os diversos agentes autorizados para esta atividade. Neste ambiente radicalmente novo, segundo o engenheiro, é que a Copel teria percebido a necessidade de estabelecer uma parceria estratégica com agentes privados – no caso a Tradener, especializada para a execução e o gerenciamento deste tipo de operações. Além da participação societária da Copel, a Tradener conta ainda com a parceria da Logos Energia e da DGW Participações, sendo que esta última empresa, dirigida por Donato Gulin e pelo próprio Walfrido Ávila, veio a integrar a sociedade somente em junho de 1999.

Sem exclusividade

Contrariando o teor de depoimentos anteriores prestados à CPI, Walfrido Ávila negou que a Tradener tenha exclusividade para a comercialização de energia da Copel fora do estado. “A Copel já vendeu energia diretamente, sem que a Tradener tenha recebido qualquer comissão por isso. Eles venderam energia, inclusive, a preços menores que aqueles que a Tradener conseguiu em outras oportunidades”, emendou o engenheiro, acrescentando que a corretora não se limita, igualmente, a fazer negócios apenas a partir da Copel. Assim, cerca de metade dos contratos da Tradener não envolveriam qualquer participação da estatal paranaense. Indagado pelos parlamentares, o depoente disse que a sua empresa recebe 2% de comissão, a cada contrato novo de venda de energia da Copel. Nestas condições, no caso de um contrato já celebrado de fornecimento de energia para a catarinense Celesc, no prazo de seis anos, a Tradener terá a receber a importância de vinte milhões de reais.

Contestação

Durante a reunião da CPI, a engenheira e funcionária da Copel, Carla Rosângela de Oliveira, que acompanhava os trabalhos, foi convidada pelos deputados para dar novamente a sua versão dos fatos sobre a venda de energia. Na última terça-feira, ela prestou à CPI informações bastante conflitantes com aquelas que o presidente da Tradener acabava de dar, assinalando, por exemplo, que a corretora tinha reserva de mercado para vender energia da estatal, a despeito de a Copel ter plena capacidade, segundo ela, para negociar diretamente. Diante dos protestos dos advogados de Walfrido Ávila, entretanto, feitos com base no Código de Processo Penal, os deputados acabaram recuando na iniciativa de estabelecer o contraditório, reconhecido o fato de que o presidente da Tradener fora intimado somente para prestar depoimento, sem previsão de acareação. Segundo o deputado Marcos Ísfer (PPS), presidente da CPI, é certo, no entanto, que esta e outras acareações serão realizadas no futuro próximo.