O diretor-geral da Assembleia Legislativa (AL), Abib Miguel, pediu afastamento do cargo no início da noite de ontem. Em ofício encaminhado ao presidente da AL, Nelson Justus (DEM), Bibinho, como é conhecido, defende a investigação de todas as denúncias de irregularidades, publicadas em reportagens da Rede Paranaense de Comunicação (RPC-TV e Gazeta do Povo).

A série de reportagens denunciou a existência de uma rede de pessoas registradas como funcionários da Assembleia Legislativa, que seriam ligados a Bibinho, e que recebem salários acima do teto constitucional estadual (R$ 20 mil). Algumas não constam do quadro de servidores da Casa.

Assessor de confiança do ex-deputado Aníbal Curi, um dos mais influentes políticos do Estado e que presidiu a Assembleia por vários anos, Bibinho respondia até ontem pelas áreas financeira e administrativa do Legislativo. No documento, o ex-diretor-geral diz que espera uma apuração “cristalina” dos fatos publicados nas reportagens.

“Minha trajetória pública, irrepreensível por longos anos, não pode ser maculada por especulações e sobretudo por falácias impróprias. Para tanto, peço meu afastamento das funções de diretor-geral da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, até a conclusão das investigações pertinentes e sobretudo para que venha à tona, a real verdade”, disse no documento encaminhado ao presidente da Assembleia.

Em reportagem exibida ontem, na segunda edição do ParanáTV, foram mostradas entrevistas com três integrantes de uma mesma família que, embora tenham outras atividades na iniciativa privada, teriam recebido depósitos em suas contas como funcionários da Assembleia Legislativa. Um deles seria sócio de Bibinho em uma empresa.

Na reportagem de ontem, a RPC-TV corrigiu a informação veiculada anteriormente sobre a troca de identidade das filhas do diretor geral afastado. Um dela, Luciana Miguel, que trabalha em uma fazenda da família em Goiás, não é funcionária da Assembleia Legislativa, como denunciou a matéria.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Durval Amaral (DEM), disse ontem que já está formulando o projeto de resolução que irá regulamentar a publicação dos Diários Oficiais da Assembleia Legislativa, na internet. Amaral disse que terá que fazer um estudo da viabilidade técnica, antes de apresentar a proposta ao plenário.

De acordo com o presidente da CCJ, não há prazos para o início da publicação online. Mas observou que a medida terá que ser regulamentada, em ato de resolução, para que seja permanente.

“E que não fique ao arbítrio de futuros presidentes”, afirmou Amaral, designado pela Mesa Executiva para coordenar o trabalho de divulgação dos Diários Oficiais. A falta de acesso aos documentos deu origem a primeira matéria da série de denúncias de irregularidades, que está sendo veiculada pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC).

Ontem, a Executiva Estadual do PV divulgou nota pública pedindo o afastamento de todos os servidores que estão sob suspeita de envolvimento no escândalo. A direção do partido, que elegeu apenas uma deputada estadual, Rosane Ferreira, pediu ainda a realização de uma auditoria externa para apurar as denúncias.