O hábito de alguns políticos paranaenses de guardar dinheiro em casa pode dar dor de cabeça. Muitos candidatos nesta eleição declararam à Justiça Eleitoral ter grande volume de dinheiro em espécie dentro de suas residências. Mas essa opção causou um grande transtorno ao ex-secretário de representação do Paraná em Brasília, Eduardo Requião. O irmão do ex-governador Roberto Requião teve US$ 180 mil roubados de dentro de seu armário por uma empregada entre janeiro e junho do ano passado, conforme relatório do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) obtido pela reportagem.

Além do contratempo de ter de acionar a polícia para reaver o dinheiro furtado, Eduardo também poderá ter de explicar ao Ministério Público e à Receita Federal como detinha tanto dinheiro em moeda estrangeira, uma vez que, tanto no seu depoimento quanto no da empregada, fica claro que a quantia furtada é uma fração do que estava guardado no armário. Em 15 de setembro do ano passado, Eduardo declarou ao Cope que não percebeu que estava sendo furtado até ser alertado sobre o crescimento do patrimônio da empregada E.Q.J. A empregada, que confessou o crime, disse que retirava pequenas quantidades de dentro do armário e que, com o dinheiro, comprou bens móveis e imóveis em nome de seus familiares. Segundo o advogado da ré, que responde em liberdade, todos os bens já foram vendidos e o dinheiro devolvido a Eduardo.

O caso, que foi acompanhado sem alarde pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual, chegou ao conhecimento do ex-deputado José Domingos Scarpellini, que protocolou requerimento de informações ao Ministério Público Estadual sobre se, além do crime de furto, está sendo investigada a origem dos US$ 180 mil furtados, uma vez que à época dos fatos, ocupava função pública. No requerimento, Scarpellini questiona se “Eduardo Requião está sendo investigado por manter em sua residência o montante em espécie de US$ 180 mil”, se “o total de bens sequestrados da denunciada equivalem à quantia subtraída do irmão do ex-governador” e se “a Receita Federal e a Polícia Federal foram informadas da ocorrência, bem como do porte por parte de servidor público, de US$ 180 mil”.

“Toda a estrutura do Estado foi utilizada para proteger o Eduardo, e recuperar seu dinheiro e não para investigar um possível crime que também pode ter sido cometido pelo irmão do então governador. A polícia acompanhou todo esse processo de venda dos bens e repasse do dinheiro. Isso não é função de polícia”, disse Scarpellini. O ex-deputado informou também que pretende levar o caso à Receita e à Polícia Federal. “Ele mesmo diz em depoimento que nem percebeu que US$ 180 mil foram tirados de seu armário. Sinal que a quantia de dólares que ele guarda em casa é muito maior. A Receita e a Polícia Federal têm que ser informadas disso”, disse Scarpellini. Ele também vai aproveitar a troca de governador para sugerir a Orlando Pessuti (PMDB) que abra sindicância interna e inquérito administrativo para apurar a conduta da polícia do caso e a responsabilidade de um ex-funcionário público.