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Dom Geraldo Majella: ?Não se pode só privilegiar o capital, o dinheiro. Tem de privilegiar o trabalho?.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) d. Geraldo Majella Agnelo, criticou, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recordou as denúncias de corrupção contra seu governo e a opção do Planalto por privilegiar o capital. ?A preocupação pela economia deixou realmente para trás o que era mais importante?, declarou, ao comentar outra crítica que já havia sido feita pela CNBB, ao governo, de que o projeto de transformação foi substituído por projeto de poder. ?Não se pode só privilegiar o capital, o dinheiro. Tem de privilegiar o trabalho, o trabalho humano, o trabalho digno, e o trabalho para todos?, acrescentou.

Dom Geraldo Majella falou ainda da sua preocupação com a corrupção que vem sendo denunciada em diversos níveis do governo. ?Sem dúvida alguma preocupa porque nós não podemos conviver com a corrupção, ao ponto que ela chegou?, declarou o presidente da CNBB, lembrando que ?sempre há uma tentação?. Ao comentar como a corrupção hoje está ?difundida?, e o mau exemplo que ela traz questionou: ?ela é um mau exemplo para todos e especialmente para o próprio povo, que vendo que seus dirigentes estão tão assim envolvidos, como não se sentirão??.

Para ele, ?mais do que nunca é preciso mudar a situação? porque os dirigentes é que deveriam estar à frente do povo para buscar o bem- comum. ?Qualquer um que venha, seja ele quem for nós nos preocupamos com o futuro?, comentou.

Questionado se o presidente Lula é um dos principais responsáveis pela corrupção, D. Geraldo respondeu: ?Não podemos colocar toda culpa nele?. O presidente da CNBB recomendou ainda aos eleitores que verifiquem exatamente em quem votar e cobrem dos políticos suas ações. Para ele, os cidadãos e os eleitores não deviam só escolher ?por acaso? um nome, mas deveriam participar.

Recomendou o voto ?com consciência?. ?Depois acompanhem o desenrolar do mandato cobrando, lembrando sempre, exigindo que se ponha em prática o mínimo necessário para o bem do povo?. Na opinião de d.Geraldo, os políticos não estão seguindo as últimas palavras ditas por d. Luciano e repetidas por Lula em seu discurso para que não se esqueçam dos pobres. ?Não parece que estejam seguindo à risca porque esta situação de miséria e de pobreza é de alguma coisa que clama aos céus?, disse. ?Seria tão bom se, especialmente agora que se renovam os quadros de políticos, que a única e principal preocupação fosse com os pobres porque esta é a situação que está em todo o Brasil, onde mais de um terço da população vice abaixo da linha da pobreza?.

Ao ser lembrado que Lula insiste em seus discursos que foi o presidente que mais fez pelos pobres, d.Geraldo comentou: ?Era impossível que ele não tivesse feito alguma coisa. Mas nós esperamos muito mais?. Sobre o programa de governo apresentado por ele para um segundo mandato, d. Geraldo disse que não o leu ainda e não sabe exatamente o que ele trata sobre questão social ?Ele tem citado aqui e ali?, observou, acentuando que é fundamental para o próximo governo atacar ?as questões da educação, do trabalho, da dignidade da pessoa humana, especialmente, para que cada um tenha a sua vida, seu sustento, com dignidade, além da saúde porque temos ainda um precário tratamento de saúde?.

Enterro

Ao lado do governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, da primeira-dama, Marisa Letícia e de quatro ministros, o presidente Lula participou, na manhã de ontem, de curtos 25 minutos do velório do arcebispo de Mariana (MG), Dom Luciano Mendes de Almeida, na Igreja do Carmo.