O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, disse que o lançamento do programa de governo da candidata do partido à Presidência, Dilma Rousseff, formaliza os compromissos da coligação. “Como o evento foi marcado quase em cima da hora, nós fechamos essa versão ontem. As propostas mais detalhadas estão no site do PT e da campanha”, afirmou. “Esse documento estabelece compromissos gerais e aponta a linha que vai nortear o governo”, disse ele, no evento de lançamento realizado hoje na capital paulista.

Ele enfatizou que a petista manterá a Lei da Responsabilidade Fiscal e o regime de câmbio flutuante, caso seja eleita. “Não há por que fazer um detalhamento disso.” O lançamento do programa limitou-se à entrega de um documento com 13 “compromissos gerais”, sem detalhamento de propostas. Os 13 compromissos adotados pela candidata contemplam as áreas de economia, saúde, meio ambiente e cultura, entre outras.

O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, disse que a coligação levou dois meses para concluir o documento. Ele recusou a avaliação de que o documento é superficial. “A campanha foi levada a um campo que não interessa, não tivemos condições nem ambiente para discutir propostas e a campanha se desvirtuou”, justificou.

Embora o programa não fale de propostas específicas na área econômica, ele disse acreditar que é preciso haver um certo controle na entrada de capitais. “A questão cambial é uma coisa seriíssima, não é uma questão qualquer. As medidas que vêm sendo tomadas até agora são paliativas”.

Ele disse acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se afastar do governo caso Dilma seja eleita. “Ele tem falado que todo ex-presidente precisa ter cautela e respeitar o presidente”, afirmou. “Dilma é uma pessoa independente, tem ideias próprias e vai fazer valê-las.”

‘Ato simbólico’

O vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, defendeu o fato de o documento ser sintético. “Não poderia ser nosso, do PT ou do PMDB. Ele tinha de consolidar a opinião da base do governo”, disse. “O grande risco de se fazer um programa detalhado é a dificuldade de executá-lo”, afirmou. O deputado federal Celso Russomanno (PP-SP) seguiu a mesma linha. “Se fôssemos colocar tudo o que estamos debatendo ao longo da campanha, seria um documento imenso.”

Um dos coordenadores da campanha da petista, o assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia disse que a elaboração do programa não causou conflitos entre os partidos da base e foi marcado pela convergência. “Fizemos a opção clara por um documento sintético, se não ninguém lê.”

Para ele, o lançamento na última semana de campanha é um “ato simbólico”. “Os documentos sintéticos são os mais difíceis de fazer. Há um nível de detalhamento razoável, a execução é o mais importante.” O deputado Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados e vice na chapa de Dilma, esteve presente, mas não falou com a imprensa.