Em carta aberta ao PT, o deputado estadual Edinho Silva (PT-SP), afirmou a correligionários que o partido e o governo formam um “binômio” e enganam-se aqueles que pensam que “um superará esse momento sem o outro”. No artigo, publicado no momento em que parlamentares petistas têm se mostrado contrários a medidas de ajuste fiscal propostas pelo governo Dilma Rousseff, Edinho defende a adoção das medidas para “dar garantias aos investidores, para que possamos atrair investimentos para a nossa infraestrutura e para a produção, gerando mais empregos e oportunidades”.

O petista, que foi tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, disse que decidiu “colocar seus pensamentos e sentimentos no papel” após diálogos com interlocutores que “se mostraram indignados, assustados, aflitos, também confusos, mas com uma imensa disposição e força para defender” o PT e o governo.

Para Edinho, o primeiro passo nessa defesa é ter certeza da própria identidade. “Nascemos da força dos excluídos, parimos um projeto para eles, fizemos curvas, buscamos atalhos, mas o nosso maior objetivo é a construção de um Brasil sem exclusão social, sem preconceitos, discriminação e que radicalize a democracia em seu sentido mais amplo”, definiu o deputado.

Diante disso, ele sugere que os petistas não deixem “que ninguém, absolutamente ninguém, que represente os interesses que jogaram o povo na miséria e no abandono por séculos (…) venha nos dizer quem somos tentando destruir aquilo que simbolizamos: a esperança da maioria dos brasileiros.”

Depois de exaltar a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva – um “líder operário, retirante nordestino” – e de Dilma – uma mulher, “forjada em sessões de tortura” -, Edinho afirma que o atual mandato faz parte do mesmo projeto petista e está marcado por uma “ofensiva conservadora” que ele classifica como “a pior da história da República”.

O deputado questiona se os correligionários achavam que a elite brasileira iria ficar assistindo à consolidação do projeto petista num momento de “retomada das mobilizações de direita no continente”. “Achávamos que a responsabilidade pela estagnação do ciclo de crescimento econômico, intensificado pela crise internacional, seria imputada ao cassino financeiro do capitalismo internacional volátil e usurpador de oportunidades? Que seriam responsabilizadas as elites que lutam para manter um Estado nacional arcaico, que carrega entulhos de um país que não existe mais? Achávamos que aqueles que hoje nos acusam, que também são os mesmos que armam trincheiras contra as reformas estruturais, seriam benevolentes conosco? Repito, qual a novidade?”, escreveu o petista.

Edinho assume que há erros no campo político, mas que o PT nunca assimilou “com tanta facilidade o discurso oportunista de uma direita golpista” nem esteve tão paralisado. E conclama os petistas: “Há momentos na história que a dúvida leva à derrota e há momentos que o recuo leva ao aniquilamento. É hora de ‘pegarmos a nossa história nas mãos’, e com a certeza na frente revigorarmos os nossos sonhos e irmos para a luta política.”