Eleonora: solidariedade ao irmão Gustavo.

A secretária de Planejamento Eleonora Fruet apresentou ontem seu pedido de demissão ao governador Roberto Requião (PMDB).

A saída de Eleonora do governo estava prevista há uma semana, quando seu irmão, o deputado federal Gustavo Fruet, foi derrotado na convenção do PMDB de Curitiba, que preferiu fazer aliança com o PT a lançar candidato próprio à sucessão do prefeito Cássio Taniguchi (PFL) nas eleições deste ano. Gustavo pretendia ser indicado candidato a prefeito.

A demissão de Eleonora desencadeou trocas no primeiro escalão. Para o seu lugar, o governador nomeou Reinhold Stephanes, que ocupava a Secretaria de Administração desde o início do governo. A Administração será comandada pela ex-diretora-geral da pasta, Maria Marta Weber Lunardon. Ela é procuradora do Estado e no último ano do primeiro mandato de Requião, em 94, assumiu a procuradoria geral do Estado.

Junto com Eleonora também deixou o governo a presidente do Ipardes, Liana Carleial. O seu substituto será o economista José Moraes Neto, que atualmente trabalhava como assessor especial do governador. Moraes foi um dos coordenadores do programa de governo de Requião, durante a campanha eleitoral de 2002.

Questão de rumos

O governador não quis comentar ontem a decisão de Eleonora. Assim como se manteve em silêncio quando o deputado Gustavo Fruet anunciou seu rompimento político com ele. Requião não pediu à secretária que reconsiderasse a decisão, embora Eleonora fosse uma das auxiliares prediletas do governador.

Na carta entregue ao governador, Eleonora justificou que a decisão do PMDB de Curitiba é incompatível com sua posição política. Acrescentou que a exoneração poupa o governador de constrangimentos e conferia a ele a liberdade necessária para recompor sua equipe. “Acredito que deixar o cargo que honrosamente ocupei nos últimos 18 meses é a decisão mais coerente com o momento político e com o interesse público”, disse Eleonora na carta.

A saída de Eleonora do governo foi o desdobramento lógico da posição de Gustavo. E simboliza o penúltimo lance do afastamento da família Fruet de Requião. O próximo passo deve ser a desfiliação de Gustavo do PMDB. Ele, entretanto, adiou a decisão e não estabeleceu prazos para deixar o partido.

Palácio Iguaçu pode fazer mais alterações

O governador Roberto Requião (PMDB) fez remanejamentos técnicos no primeiro escalão do governo para suprir a saída de Eleonora Fruet, mas não está descartada uma nova mexida no secretariado para acomodar situações políticas. O assunto está sendo estudado pelo Palácio Iguaçu, que avalia se seria mais conveniente fazer estas mudanças agora ou se depois das eleições de outubro, diante do novo cenário político municipal.

As modificações feitas ontem pelo governador não tiveram aprovação unânime. Na bancada estadual do partido, houve frustração. Os deputados esperavam que Requião aproveitasse o pedido de demissão da ex-secretária do Planejamento para convocar um deputado para o governo. “Achei que ele poderia ter feito uma composição política na indicação do novo secretariado”, afirmou o deputado estadual Nereu Moura, que classificou como um “desastre” a substituição de Eleonora por Reinhold Stephanes.

“Não sei se o Reinhold Stephanes tem a eficácia necessária para fazer o planejamento. O que sei dele é que foi eficaz para fazer a privatização do Banestado”, atacou Moura. O deputado disse ainda que o governador poderia ter ampliado as mudanças no secretariado contemplando o PTB, o PL e o PP com cargos no governo. Os três partidos são alvos do PMDB e PT para fechar uma aliança em torno da candidatura do deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT) à prefeitura.

No Palácio Iguaçu, entretanto, as críticas da bancada peemedebista não impressionam. O governador, segundo seus interlocutores, fez apenas um ajuste técnico, destinado a prevenir qualquer prejuízo administrativo que pudesse resultar da saída de Eleonora, que junto com Stephanes e Heron Arzua (Fazenda) formavam a espinha dorsal do governo. Requião preferiu reaproveitar os quadros já disponíveis e que demonstram intimidade com a máquina para não interromper seu funcionamento, sobretudo numa área que considera vital. Se decidir fazer reformas políticas, escolherá outros setores, afirmam seus interlocutores.