Em carta destinada ao vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou desfazer o mal-estar causado na semana passada quando criticou a atuação do correligionário como coordenador político do governo. Renan, no entanto, voltou a destacar que não quer indicar nenhum nome para ocupar cargos no Executivo.

No texto divulgado para a imprensa nesta terça-feira, 5, Renan afirmou que não iria “rebater” a nota de Temer, na qual o vice afirmava que o País precisava de “políticos à altura dos desafios que hão de ser enfrentados”, para não “promover escalada retórica incompatível com nossa função institucional”.

“Reitero meu desejo de que Vossa Excelência, em um momento grave do País, desempenhe suas atribuições de coordenador político com êxito e me ponho à disposição para apoiar iniciativas que engrandeçam a missão que desempenhamos”, escreveu Renan.

O presidente do Senado também afirmou que, para manter a independência do Legislativo em relação ao governo, “qualquer indicação para cargos do Executivo, atribuídas a mim, deve ser descartada”.

Na quinta-feira passada, Renan chamou indiretamente Temer de “coordenador de RH” por ter sido incumbido pela presidente de fazer a distribuição de cargos do segundo escalão do governo. Horas depois, Temer divulgou nota na qual afirmava que não iria usar o seu cargo “para agredir autoridades de outros Poderes”.

Na segunda, Temer também amenizou o tom e disse que a relação com Renan era “muito boa”. Tem vindo dos próprios peemedebistas, porém, a crítica de que o presidente do Senado afirmou que o partido não poderia compactuar com a divisão de “cargos e boquinhas” no governo, mas não pediu para que seus aliados deixassem os postos que ocupam. Citam como exemplo o fato de o atual diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Bastos, ter sido reconduzido ao posto, e de Renan ter emplacado o nome de Fernando Mendes em uma diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).