Em apenas cinco meses à frente da Secretaria de Segurança Pública, o “Batman do Paraná”, Fernando Francischini, colecionou polêmicas. Nenhuma delas, porém, foi tão grande quanto a controversa ação policial do último dia 29 de abril, no Centro Cívico, que deixou centenas de feridos. Depois de negar responsabilidade sobre o episódio,o clima com a Polícia Militar (PM) ficou insustentável. Isso lhe custou o cargo.

Francischini parece ter passado de herói a vilão em apenas uma semana. Um bom termômetro é a sua página no Facebook. O ex-secretário costumava publicar nas redes sociais alguns feitos da secretaria – basicamente operações policiais e apreensão de drogas – com bastante frequência, e recebia apoio efusivo dos seguidores. Depois do dia 29, os únicos comentários em sua página eram críticas pelo desastre em frente à Assembleia Legislativa.

Nomeado para a secretaria ainda em dezembro do ano passado, Francischini sempre deixou claro que seria “linha dura” no combate ao crime. Uma de suas marcas era comemorar publicamente a morte de “criminosos” pela polícia. Também já apareceu em um programa de tevê com arma no bolso.

De postura extravagante, o ex-secretário convocava coletivas de imprensa praticamente toda semana, ao contrário da atitude mais reservada de outros secretários. A mesma postura era repetida por ele na Câmara Federal, quando deputado federal – estava licenciado do cargo –, durante as CPIs de Carlinhos Cachoeira e da Petrobras.

Logo no começo da gestão, Francischini se viu às voltas com a primeira manifestação de professores, quando a Assembleia Legislativa foi invadida para impedir a votação da primeira versão do projeto de ajuste fiscal e previdência.

A tática pensada pelo ex-secretário para contornar os manifestantes e levar os deputados para dentro da Assembleia acabou percorrendo o mundo. Eles chegaram dentro de um camburão do Bope. Na saída, um manifestante tentou agarrar Francischini, que saiu correndo e se escondeu atrás da tropa.

O primeiro mês de gestão já havia sido conturbado. Primeiro por uma polêmica curiosa. Francischini ordenou que apagassem uma tatuagem que tem no braço, com photoshop (um programa de edição de imagens) , de fotos divulgadas pela secretaria em que estava na praia. Mas a tatuagem foi mantida em outras.

Depois, atacou no Facebook o colunista Celso Nascimento, da Gazeta do Povo, no mesmo dia da publicação de uma coluna contrária a ele no jornal.

Francischini também apareceu nas investigações da Operação Lava Jato. Conversas entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-deputado Luiz Argôlo (SD), interceptadas pela Polícia Federal, dão a entender que Francischini estaria a par dos negócios dos dois e teria participado da negociação de posições dentro do partido – ele era líder do Solidariedade e Argôlo, vice.

Youssef e Argôlo estão presos em Curitiba pela participação no escândalo.

Recentemente, Francischini deixou escapar que o modelo das Unidades Paraná Seguro (UPS), a maior aposta do governo Beto Richa (PSDB) na segurança pública, havia falhado. Disse também que, com a sua liderança, a situação iria mudar. Mas não fez quaisquer alterações nas UPS.

Seu último partido é o Solidariedade (SD). Ele já passou pelo PEN e PSDB. Francischini também foi oficial do Exército e da Polícia Militar do Paraná e delegado da Polícia Federal. Durante a gestão de Beto Richa na prefeitura de Curitiba, ele comandou a secretaria antidrogas por dois anos. Seu lema sempre foi “tolerância zero”.

No ano passado, conseguiu eleger o filho, Felipe Francischini, de 22 anos, como deputado estadual do Paraná. Até o momento, a atuação de Felipe com maior repercussão foi ter chamado os professores que invadiram a Assembleia Legislativa em fevereiro de ,“burros”.