O inquérito que apura se três campanhas eleitorais do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) foram abastecidas ilegalmente com dinheiro da Odebrecht não irá mais tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. A decisão ocorre após Richa, que nega irregularidades, perder o “foro privilegiado”. Entenda quais os próximos passos:

Quem irá julgar Beto Richa?

O inquérito será enviado para a Justiça Eleitoral do Paraná e também para a 13ª Vara Criminal de Curitiba, comandada pelo juiz federal Sergio Moro, à frente dos processos da Lava Jato no primeiro grau. A decisão atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF) e foi assinada na quinta-feira (26) pelo relator do inquérito no STJ, ministro Og Fernandes.

O que é investigado?

A investigação envolve supostas doações da Odebrecht via caixa 2 às últimas três campanhas eleitorais do tucano, num valor que passa de R$ 3 milhões. Segundo ex-dirigentes da empresa, dinheiro ilegal teria favorecido Richa em 2008, 2010 e 2014. Em sua defesa, Richa diz que a decisão diverge de casos semelhantes e que vai recorrer.

Por que o inquérito irá também para Moro?

Supostas negociações em torno da obra de duplicação da PR-323 “empurraram” o inquérito para as mãos do juiz federal Sergio Moro. Nos relatos de executivos da empreiteira, a obra surge como uma espécie de “moeda de troca” para que o dinheiro da campanha de reeleição do tucano, em 2014, fosse viabilizado. Assim, o caso envolveria não apenas caixa 2, e a competência da Justiça Eleitoral, mas também o crime de corrupção, tratado na Justiça Comum.

Qual a situação atual da rodovia?

A duplicação da PR-323 segue apenas no papel. No começo de abril, Richa (PSDB) anunciou, em Umuarama, a liberação de R$ 96,9 milhões para a execução da primeira fase da obra. Nesta primeira etapa, a previsão do governo é duplicar 20,7 quilômetros de rodovia, que ficam entre Paiçandu e Doutor Camargo.

Terá impacto na eleição?

Para o blogueiro da Gazeta do Povo Rogerio Galindo, do blog Caixa Zero, “ao sair do governo, Beto trocou temporariamente o foro por Moro. Não quer dizer que vá ser condenado, mas o mero processo aliado ao nome do juiz que virou símbolo de combate à corrupção pode lhe causar problemas”.

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