A menos de um mês da eleição, os apoiadores da campanha presidencial de Marina Silva (PSB) criaram uma agenda paralela para divulgar o programa de governo e quebrar as resistências em relação à candidata. Chamados de “vocalizadores”, os “porta-vozes” de Marina estão há pelo menos 10 dias participando de eventos com diversos setores da sociedade, principalmente com empresários e investidores.

O último evento reuniu 532 clientes da Bank of America Merrill Lynch (BofA) e surpreendeu a campanha pelo número de participantes. O encontro aconteceu ontem (8) em um hotel de São Paulo e foi liderado pelo vice da chapa, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS). Sem a presença de Marina, os economistas André Lara Resende e Alexandre Rands, além dos coordenadores Walter Feldman, Maurício Rands, Bazileu Margarido e João Paulo Capobianco, fizeram uma apresentação aprofundada das propostas contidas no programa de governo do PSB para a área econômica. “O medo dos investidores está diminuindo”, comemorou Alexandre Rands. Nesta terça-feira, a apresentação será para convidados da Associação dos Lojistas dos Jardins, também em São Paulo. Na próxima segunda-feira (15), a agenda será na Câmara Americana de Comércio (Amcham), também na capital paulista.

O objetivo dos “porta-vozes do programa” é fazer contato com os mais variados segmentos, como serviços, comércio, indústria, financeiro, construção civil, agronegócio, social e petróleo e gás. A campanha faz uma agenda a partir dos convites recebidos para apresentação do programa de governo. Dependendo do tema do evento, os coordenadores se dividem para as apresentações. “Estamos fazendo conversas com todos os setores que querem entender detalhes do programa”, explicou Capobianco.

No caso da Merryl Lynch, segundo os aliados da ex-senadora, o convite veio do banco e não previa mais que 200 pessoas. Com a demanda em alta para mais apresentações, a agenda será intensificada. Os colaboradores acreditam que a campanha vem conseguindo passar credibilidade e mostrar que Marina pode ter uma equipe de auxiliares qualificada para conduzir um futuro governo. “Estamos mostrando que o governo pode produzir estabilidade e confiança. Agora não é mais resistência, é empolgação”, disse Feldman.

Os coordenadores dizem que o objetivo primordial dos encontros não é alavancar a arrecadação da campanha, mas sim detalhar as propostas de Marina. Com o aumento do interesse dos empresários e investidores, a campanha já sente um aumento no volume de doações para o comitê financeiro. “É muito menos que o da Dilma, mas é mais que a (arrecadação) do Eduardo”, resumiu Bazileu.