O sistema de urnas eletrônicas usado nas eleições no Brasil continua despertando desconfiança, não só em eleitores, mas principalmente em pesquisadores. Na outra ponta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assegura que não há riscos de fraudes ou qualquer outro problema. No entanto, o assunto ainda deixa o Tribunal desconfortável, e este não é um tema que agrade.

Questionado sobre vários pontos que já foram contestados por pesquisadores quanto à vulnerabilidade do sistema, o TSE não respondeu a Tribuna até o fechamento desta edição. Porém, no seu site, o Tribunal destaca que “as urnas eletrônicas brasileiras são modernas, rápidas e, principalmente, seguras. Isso porque vários recursos de segurança – como criptografia, assinatura digital, lacração e armazenamento em sala-cofre – garantem o sigilo do voto e impedem qualquer tipo de fraude”, traz o texto da nova peça publicitária do TSE.

Uma das principais dúvidas dos pesquisadores hoje é quanto à correção das falhas que foram apresentadas por estudiosos da Universidade de Brasília (UnB) em 2012. Uma das garantias dada pelo TSE é que os votos não são computados nas urnas na sequência de chegada dos eleitores, para que não se identifique os votos. Porém, os pesquisadores da UnB constataram que é possível rearranjar a sequência para que os votos fiquem na ordem.

Desta forma seria possível saber quem votou em quem relacionando com o horário de chegada de cada eleitor. Também em 2012, um hacker que se identificou como Rangel, mostrou como conseguiu mudar resultados computados no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janiero, no momento de totalização dos votos. “Até hoje não sei se o TSE corrigiu essas falhas. Eles não permitem que os pesquisadores façam esta verificação e, por isso, não sabemos se tudo foi corrigido”, afirma Altair Santin, professor do curso de Ciências da Computação da PUC-PR.

Embora o TSE assegure que o sistema é à prova de falhas, segundo o professor Santin, um dos prováveis riscos é justamente o problema apontado pelos pesquisadores da UnB, de reordenação da sequência de votos, identificando seus autores. O outro é de erro de software, que pode falhar, até mesmo por não passar por auditorias independentes. “Pode ser que durante a votação ele não se comporte como deveria e isso pode causar os impactos mais variáveis, como na contagem, por exemplo, e erros no processo”, explica o professor.

No entanto, Santin diz que não é possível afirmar que as eleições já foram fraudadas. Para ele, são apontamentos, mas que até hoje não houve uma constatação de fatos. “Tem que considerar que tudo isso é pontual, ninguém tem nenhuma informação cabal que o sistema foi comprometido”, acrescenta o professor.

Sem constatação de fraudes, mas com vários pontos suscetíveis identificados por pesquisadores e especialistas, o professor alerta que não há muito que o eleitor fazer, a não ser cumprir seu dever de cidadão que é votar. “O cidadão está com as mãos atadas neste caso, por isso, a indignação e as cobranças”, reforça Santin.

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