Chuniti Kawamura
Familiares e amigos na despedida.

Morreu ontem pela manhã, aos 83 anos, um dos políticos mais atuantes do Paraná e referência da vida pública do Estado, o ex-deputado Erondy Silvério. Eleito vereador pela primeira vez em 1958, foi um dos paranaenses com mais mandatos obtidos, tendo sido eleito sete vezes deputado estadual e ocupado cargos de destaque no cenário político, além de ter espaço importante no meio esportivo. Erondy participou das eleições pela última vez em 1998 para deputado, mas foi derrotado. A família acredita que ele teve mal súbito, anteontem à tarde, ao subir as escadas de sua casa. Caiu e bateu a cabeça. Erondy teve sangramento intenso, e foi levado ao hospital Vita. Operado, não resistiu ao ferimento e morreu.

Em seu velório, ontem, na Assembléia Legislativa, familiares e amigos políticos lembravam dos feitos do ex-deputado. ?Em seu primeiro mandato, em 58, junto com o então prefeito Ney Braga, construiu o Mercado Municipal?, recorda uma das filhas, Maria de Lourdes Langue Silvério. ?Desde então, modernizou o transporte urbano e lutou muito defendendo sua classe, a dos motoristas.? No ano seguinte, assumia a direção do Detran. Erondy foi, ainda, prefeito interino por três vezes e, em 68, passou a presidir a Assembléia Legislativa, posto em que permaneceu por um ano. ?Foi no mesmo ano da inauguração da sede nova, à época, do Clube Curitibano. Foi a única vez em que usou o carro oficial?, lembra Maria de Lourdes, que tem recordações emocionadas do pai: ?Ele chorou quando ficou sabendo que não tinha vencido as eleições de 98.?

Político e seus afilhados

Erondy Silvério teve muitos afilhados na vida política. Entre eles, o ex-vice-prefeito e atual diretor do Procon-PR, Algaci Tulio, os vereadores Geraldo Bobato (PFL), Jairo Marcelino (PDT) e o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB). ?Ele sempre teve muita facilidade em se comunicar, inclusive trabalhou muitos anos no rádio?, enfoca Algaci Tulio. ?Era figura humana extraordinária, vai deixar grande lacuna na política paranaense.? Ao que Bobato emendava: ?Considero-me praticamente órfão.? Já o vice-governador lembrava da trajetória de Erondy no esporte. ?Era grande jogador de futebol. Também me lembro da época em que foi dirigente do Estádio do Pinheiros.? Depois da fusão com o Colorado e fundação do Paraná Clube, Erondy passou a ser um dos ?caciques? do clube, se tornando influente conselheiro até antes de sua morte.

Pessuti conta que ficou amigo de Erondy em 1971, quando o guarapuavano mudou-se para a capital para cursar o atual ensino médio. ?Fui deputado em pelo menos três mandatos junto com ele. Era um político de muito conhecimento, principalmente no que dizia respeito ao regimento interno da Assembléia. Atualmente estava fora do cenário político, mas era a referência.? Erondy Silvério será cremado hoje, às 10h, no Crematório do Vaticano.

Homem exige exame de DNA

Situação constrangedora incomodou amigos e familiares no velório. Um homem de aproximadamente 40 anos foi até a Assembléia para requerer seus direitos, afirmando ser filho de Erondy Silvério. Ele ameaçou a família dizendo que iria impedir a cremação do corpo e que gostaria de recolher amostras para exame de DNA. A filha de Erondy, Maria de Lourdes Silvério, acredita, porém, que o homem que se diz seu irmão não conseguirá autorização para impedir que o corpo seja cremado hoje pela manhã, conforme já estava previsto. ?Se fôssemos dar atenção para toda pessoa que diz ser meu irmão ou irmã ou que afirma ter qualquer relação com meu pai não daríamos conta. Ele era uma pessoa pública.?