Ouvido na condição de testemunha, o ex-gerente geral da agência do Banco do Brasil, José Aparecido Augusto Eiras, admitiu à CPI da Petrobras que a empresa que foi de sua esposa foi utilizada pelo doleiro Raul Srour e que sua cunhada entrou como sócia na empresa.

Eiras, que era responsável pela agência em São Paulo onde o doleiro tinha conta, explicou que Srour disse que precisava de uma empresa para “ter capital de giro” para a corretora Distri-cash. O ex-gerente relatou que sua mulher tinha uma empresa de cobrança desativada e que concordou em vendê-la ao doleiro. Srour ainda pediu a recomendação de alguém para compor o quadro de sócios e ele indicou sua cunhada, que precisava de emprego e queria estudar em São Paulo. Em seguida, explicou, Vanessa acabou indo para o Paraná e seu nome nunca foi substituído no negócio. De acordo com ele, a cunhada nunca recebeu por integrar 1% do negócio.

O ex-gerente alegou que tinha uma relação “profissional” com o doleiro e que apenas buscava bons negócios com ele para atingir as metas internas do banco. Srour tinha uma conta com alta movimentação em dinheiro. “Eu enxerguei nele um cliente em potencial”, justificou.

Brechas

Eiras também tinha em sua agência a conta da doleira Nelma Kodama que, assim como ele, se mudou do Paraná para São Paulo. Ele afirmou que só veio a conhecê-la em São Paulo e que não teve oportunidade de averiguar pessoalmente a empresa de Nelma. “Eu não facilitei a vida dela”, enfatizou.

Ele negou que Srour tenha recomendado Nelma para abrir a conta na agência de Campos Elísios, no centro de São Paulo, e rechaçou a possibilidade de “burlar” o sistema em favor dos doleiros. “Pode burlar um mês, dois meses, mas depois a casa cai”, declarou.

O ex-funcionário do BB contou que foi afastado para que o banco fizesse a apuração das denúncias assim que o gerente assistente Rinaldo Gonçalves de Carvalho foi preso. Ele decidiu pedir aposentadoria e não voltar às atividades do banco. “Daí não tinha clima para voltar ao trabalho”.